Do crescimento à consolidação: o que os gestores devem priorizar na reta final do ano

Victor Freitas
Victor Freitas

Encerrar o ano bem não é questão de sorte, é método. No setor fitness, o último trimestre combina uma mudança natural no comportamento dos alunos: férias, confraternizações e alteração de rotinas, com uma das melhores janelas para retenção e venda de planos. O que diferencia negócios que crescem dos que apenas acompanham o mercado é a capacidade de usar dados para prever cenários e manter a operação saudável o ano inteiro.

Com o avanço da digitalização, ficou evidente que a eficiência operacional está diretamente ligada à qualidade da informação. Gestores que acompanham indicadores de fluxo de caixa, check-ins, inadimplência, planos ativos e taxas de retenção têm mais clareza para agir com agilidade, reduzindo riscos e fortalecendo a sustentabilidade do negócio. Segundo a  Health & Fitness Association, a taxa média de rotatividade de academias ainda gira entre 30% e 40% ao ano, o que reforça a importância de estratégias de fidelização e acompanhamento contínuo.

Acompanho de perto o desempenho do setor e pude observar resultados sólidos no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024. O faturamento das academias cresceu 26%, mesmo com um IGP-M acumulado de 4,39%, um indicativo de que o crescimento é real, não apenas inflacionário. O número de alunos ativos aumentou 10%, e a frequência média de treinos subiu 6%, o que mostra uma retomada consistente da adesão e engajamento nas academias.

Esses resultados comprovam que a digitalização e a gestão baseada em dados estão mudando o patamar do fitness brasileiro. Academias e studios que utilizam plataformas integradas para automatizar pagamentos, controlar planos e monitorar desempenho conseguem reduzir inadimplência, melhorar margens e tomar decisões mais rápidas. A previsibilidade operacional, algo antes restrito a grandes redes, hoje está acessível a qualquer gestor que entenda o valor dos dados.

Outro ponto essencial é o uso estratégico do calendário. O final do ano é uma oportunidade concreta para transformar sazonalidade em crescimento: campanhas de renovação, planos antecipados e ações de engajamento ajudam a equilibrar o fluxo de caixa e criam uma base sólida para 2025. Quando digitalizadas e sustentadas por dados, essas ações deixam de ser pontuais e passam a fazer parte de uma estratégia contínua de fidelização.

A cultura de dados também deve guiar decisões sobre investimento, expansão e precificação. Quando o gestor tem uma visão consolidada da operação – custos, receita recorrente, churn e lifetime value -, a tomada de decisão deixa de ser reativa e passa a ser estratégica. Essa mudança de mentalidade é o que vem profissionalizando o setor fitness e impulsionando sua consolidação na América Latina.

Encerrar o ano bem não é apenas vender mais, mas consolidar uma operação capaz de crescer de forma previsível. O futuro do fitness é orientado por dados, e cada decisão tomada com base em informação de qualidade aproxima o gestor da sustentabilidade e da performance que o setor precisa para seguir evoluindo.

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