Inclusão de pessoas com TEA na tecnologia amplia oportunidades no mercado de trabalho

Especialista aponta que iniciativas de inclusão, qualificação e conscientização nas empresas contribuem para ampliar a participação de profissionais com TEA no setor de tecnologia.
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Glenn Carstens-Peters
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A ampliação de programas voltados à contratação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem contribuído para aumentar a presença desses profissionais no mercado de trabalho, especialmente no setor de tecnologia da informação. Segundo o docente Fernando Machado, do curso Técnico em Informática do Senac Viamão no Rio Grande do Sul, essas iniciativas permitem que profissionais neurodivergentes demonstrem suas competências e ampliem as oportunidades de desenvolvimento profissional.

De acordo com Machado, o segmento de tecnologia reúne características que favorecem a atuação de muitas pessoas com TEA. Conforme o especialista, atividades que exigem concentração, atenção aos detalhes e capacidade de identificar inconsistências podem representar um diferencial para esses profissionais. “Isso ajuda amplamente na oportunidade para que esses profissionais possam ingressar no mercado de trabalho e terem oportunidade de demonstrar que também podem ser profissionais excelentes, agregando no mercado com seus conhecimentos e visões”, ressalta.

Além disso, o docente observa que a alta capacidade de concentração frequentemente associada a pessoas com TEA pode contribuir para a resolução de problemas na área de tecnologia. “Os profissionais com TEA têm ganhado diversas oportunidades, pois na maioria têm nível alto de concentração e conseguem com facilidade detectar coisas fora do lugar ou diferentes, o que ajuda muito na resolução de problemas”, explica.

Apesar do avanço de políticas de inclusão, Machado afirma que ainda existem desafios relacionados à integração desses profissionais nas equipes de trabalho. Segundo ele, promover a conscientização entre os colaboradores é uma das principais medidas para construir ambientes mais inclusivos. “Palestras regulares nas empresas, além do envio de documentos, vídeos e e-mails para todos os funcionários, auxiliam nesse sentido”, afirma.

O especialista também destaca que a formação profissional vai além do domínio técnico. Conforme Machado, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, aliado ao suporte familiar e ao acompanhamento médico, pode favorecer a adaptação ao ambiente corporativo e fortalecer o trabalho em equipe. “É muito importante o auxílio da família, além do acompanhamento médico, para ajudar o profissional a trabalhar em equipe”, destaca.

Por fim, o docente defende que a inclusão de pessoas com TEA deve fazer parte das estratégias permanentes das organizações. Segundo ele, ações contínuas de conscientização são fundamentais para ampliar oportunidades e fortalecer uma cultura organizacional mais inclusiva. “Desejo ver diversos profissionais com TEA tendo oportunidades de trabalho e crescimento profissional, e isso só funciona com inclusão e conscientização de verdade nas empresas”, conclui.

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