Fraudes digitais em redes sociais atingem 82% dos consumidores no Brasil

Especialista alerta que golpes virtuais afetam reputação de empresas e podem gerar riscos jurídicos e perda de confiança
Mikhail Nilov
Mikhail Nilov

Um levantamento divulgado pela Forbes Brasil revelou que 82% dos consumidores brasileiros já foram vítimas de algum tipo de fraude digital, sendo que a maioria ocorre em redes sociais. Segundo os dados, os formatos mais comuns são anúncios falsos (45%), perfis falsos (28%), sites falsos (13%) e contas clonadas (6,3%).

De acordo com a advogada Débora Farias, especialista em Direito Empresarial e do Consumidor, o cenário vai além da questão individual e representa um desafio para empresas, marcas e reguladores. “Não estamos falando apenas de consumidores desatentos. Estamos diante de uma crise de confiança digital que afeta diretamente a reputação de empresas e instituições”, afirmou.

A especialista explicou que fraudadores utilizam a credibilidade de marcas reconhecidas para criar promoções falsas ou perfis que simulam canais de atendimento oficiais, o que gera prejuízos tanto para os consumidores quanto para as companhias. “Esse tipo de fraude não é um problema externo apenas, mas um risco corporativo que precisa ser monitorado, prevenido e tratado com seriedade”, destacou.

Embora o Brasil conte com legislações como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Débora considera que a aplicação prática ainda enfrenta limitações. A fiscalização, segundo ela, é lenta, a responsabilização das plataformas digitais é restrita e as respostas geralmente acontecem apenas após o dano já ter sido causado.

A advogada ressaltou que a confiança é um bem jurídico protegido pelo Direito do Consumidor e que as empresas podem ser responsabilizadas, ainda que a fraude tenha sido cometida por terceiros. “Mesmo quando a fraude é cometida por terceiros, a empresa precisa estar preparada para demonstrar diligência e proteger seus clientes”, disse, lembrando que companhias podem sofrer ações judiciais e autuações de órgãos como Procon e Senacon.

Entre as medidas recomendadas para as empresas, a especialista citou o monitoramento contínuo de menções à marca, parcerias com plataformas digitais para remoção rápida de conteúdos falsos, protocolos internos de resposta envolvendo jurídico, compliance e comunicação, além de campanhas educativas transparentes voltadas ao público.

Com o avanço de tecnologias como inteligência artificial e deepfakes, Débora avalia que os golpes tendem a se tornar mais sofisticados, exigindo preparo adicional das empresas. “A confiança digital será o maior ativo das empresas nos próximos anos. Quem não estiver preparado para proteger sua reputação frente às fraudes estará automaticamente em desvantagem competitiva”, concluiu.

Leia também

Acompanhe tudo sobre

Últimas notícias

Dólar cai para R$ 5,07, menor nível em um mês; bolsa fica estável

Alta do petróleo valoriza moeda brasileira e ações da Petrobras

Dólar cai para R$ 5,08, e bolsa recua pela quarta vez consecutiva

Juros altos e valorização do petróleo favorecem o real

Inclusão de pessoas com TEA na tecnologia amplia oportunidades no mercado de trabalho

Especialista aponta que iniciativas de inclusão, qualificação e conscientização nas empresas contribuem para ampliar a participação de profissionais com TEA no setor de tecnologia.