Como tornar o ambiente de trabalho mais favorável para a saúde mental dos colaboradores

Especialista afirma que gestão emocional nas organizações deve ser tratada como investimento estratégico e não apenas como ação pontual
Divulgação/Aventus
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O debate sobre saúde mental no ambiente corporativo tem ganhado destaque diante do aumento de casos de transtornos emocionais entre trabalhadores. O médico ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, Dr. Marco Aurélio Bussacarini, afirma que o tema deve ser tratado como parte da estratégia das organizações, e não apenas como uma responsabilidade individual dos colaboradores.

De acordo com o especialista, fatores como estresse, sobrecarga e falta de espaços de diálogo interferem de forma direta na produtividade e na retenção de profissionais. “Valorizar a saúde mental no ambiente corporativo significa criar culturas mais inclusivas, sustentáveis e humanas, em que os fatores psicossociais passam a ser tratados de forma estruturada, e não apenas como iniciativas pontuais”, destaca Bussacarini.

O médico observa que o tema evoluiu nos últimos anos, especialmente após a pandemia. Segundo ele, o estigma em torno da saúde emocional diminuiu, e as empresas passaram a considerar o bem-estar dos funcionários como parte central da gestão. “Investir em saúde mental não é custo, é retorno — seja em redução do absenteísmo, seja na melhora do engajamento. Vemos avanços na implementação de políticas estruturadas de prevenção de riscos psicossociais”, explica.

Para as organizações que estão começando a tratar o tema de forma mais sistemática, Bussacarini recomenda iniciar com medidas simples. “Não é necessário ter projetos grandiosos. O primeiro passo é abrir espaços de escuta e reconhecer os fatores psicossociais que impactam sua equipe. Pequenas ações consistentes geram mudanças duradouras”, orienta o especialista.

Neste ano, a discussão sobre o tema ganha novo impulso com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que inclui a gestão de fatores psicossociais como parte das obrigações de saúde e segurança no trabalho. O médico explica que a inclusão reforça o reconhecimento legal da importância da saúde mental nas empresas. “Mais do que cumprir uma obrigação legal, trata-se de integrar a saúde emocional ao sistema de gestão, garantindo ambientes mais seguros, saudáveis e resilientes”, pontua.

Com o objetivo de auxiliar gestores na aplicação prática da norma, Bussacarini lançou o livro “Fatores Psicossociais no Trabalho – Para líderes de empresas, Gestores de RH, Profissionais de Saúde SST e Contadores”, que apresenta ferramentas para identificar e gerenciar fatores psicossociais no ambiente corporativo.

Segundo o médico, o papel do profissional de saúde ocupacional também se transformou. “O médico do trabalho deixou de ser apenas responsável por exames admissionais. Hoje, ele atua como agente estratégico na promoção da saúde integral, o que exige atualização técnica, empatia e articulação com diferentes áreas da empresa”, afirma.

Além das medidas institucionais, o especialista destaca que os próprios trabalhadores podem contribuir para o fortalecimento da saúde mental no ambiente profissional. Ele lista algumas práticas de autocuidado que ajudam na prevenção de adoecimentos:

  • Buscar informações sobre saúde mental e fatores psicossociais;
  • Reconhecer os sinais de estresse crônico e prevenir o burnout;
  • Priorizar o sono reparador;
  • Fazer pausas regulares durante o trabalho;
  • Estabelecer limites entre vida pessoal e profissional;
  • Procurar apoio quando necessário;
  • Valorizar práticas que promovam bem-estar.

Por fim, Bussacarini enfatiza a importância de medir resultados para orientar as ações corporativas. “Falar sobre saúde mental é importante, mas medir indicadores como absenteísmo, presenteísmo e rotatividade é essencial para avaliar resultados e nortear decisões. Essa visão baseada em dados fortalece o diálogo entre saúde, recursos humanos e a alta gestão”, conclui.

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