O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, é uma das principais datas do varejo nacional, ficando atrás apenas do Natal e da Black Friday em volume de vendas. Dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostram que, na semana que antecedeu a data em 2024, as vendas online cresceram 10,2%, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2023. Já o varejo físico apresentou retração de 2,2%, o que reforça a tendência de migração para o ambiente digital.
De acordo com Rodrigo Garcia, diretor-executivo da Petina Soluções, empresa especializada em digitalização de lojas, a transformação é estrutural. “O que vemos é uma mudança estrutural no comportamento de compra. Não é apenas pelo preço, mas pela jornada mais simples e ágil que os marketplaces oferecem. Para o varejo físico, o desafio é transformar essa experiência em algo igualmente atrativo”, afirmou.
As projeções do ICVA indicam que o setor deve movimentar cerca de R$ 18 bilhões neste Dia das Crianças (domingo, 12), com 94% das compras realizadas em canais digitais. O modelo de marketplace se destaca pela diversidade de vendedores, maior elasticidade promocional e pela oferta de benefícios como frete grátis, cashback e parcelamentos estendidos.
“O consumidor brasileiro aprendeu a comparar preços de forma instantânea. Ele sabe que, em datas sazonais como o Dia das Crianças, é no marketplace que encontrará as condições mais agressivas. Para o varejo físico, isso impõe a necessidade de reposicionar estratégias e explorar novos canais”, explicou Rodrigo Garcia.
Entre os fatores que explicam a vantagem do marketplace estão o preço competitivo, a variedade de produtos, as promoções integradas e a eficiência logística. Segundo Garcia, a concorrência entre vendedores garante valores mais baixos e força maior eficiência na cadeia de abastecimento. Além disso, os marketplaces democratizaram o acesso de pequenos comerciantes, ampliando a oferta de produtos e criando novas oportunidades de visibilidade.
Garcia destaca ainda que a logística se tornou um diferencial decisivo. “Hoje, o cliente compra com a mesma confiança de pegar o produto na prateleira. A logística virou um diferencial competitivo e redefine o que significa conveniência no digital”, afirmou.
Apesar disso, o varejo físico ainda aposta na experiência presencial e na conveniência imediata, mas vem perdendo espaço para o digital, onde a jornada é mais fluida e orientada a preço.
Categorias em alta no Dia das Crianças 2025
Levantamentos do Mercado Livre e da Nubimetrics apontam que brinquedos eletrônicos, bonecas reborn, Baby Alive, Barbie, Hot Wheels e LEGO continuam entre os mais vendidos. Jogos de cartas, massinhas de modelar, pelúcias licenciadas, livros de colorir e produtos ligados a personagens populares como Pokémon, Labubus e Bobbie Goods também devem liderar as buscas.
Estratégias para impulsionar as vendas
Especialistas indicam que varejistas devem alinhar preços com o mercado, oferecer combos promocionais e investir em experiência personalizada. “Não se trata apenas de baixar valores, mas de entender o comportamento de compra em tempo real”, disse Rodrigo Garcia.
A personalização também é apontada como um diferencial competitivo no comércio eletrônico. “O e-commerce tem a vantagem de usar dados para criar uma experiência sob medida: recomendações personalizadas, ofertas em tempo real e atendimento automatizado. Essa sensação de que a loja ‘conhece’ o cliente fortalece a relação e aumenta as chances de recompra”, explicou.
Para pequenos lojistas, o especialista reforça a importância de explorar marketplaces como forma de expansão. “O digital deixou de ser opcional. O pequeno lojista, quando entra em um marketplace, tem acesso a ferramentas de logística, pagamentos e promoção que sozinho ele não conseguiria”, concluiu.