O comércio eletrônico no Brasil registrou uma mudança no padrão de consumo com o avanço das chamadas datas duplas. Segundo dados do ANYMARKET, o dia 2 de fevereiro de 2026, celebrado na segunda-feira (2), apresentou crescimento de 107% no GMV em relação ao mesmo período do ano anterior, resultado superior à média de janeiro, que ficou próxima de 35%.
De acordo com a empresa, o desempenho indica que o consumo digital está sendo concentrado em eventos estratégicos ao longo do ano. Com isso, datas antes consideradas comuns passam a funcionar como períodos de alta competição entre plataformas de marketplace.
Segundo Victor Cobo, CEO do ANYMARKET, empresa do Grupo DB1, o movimento altera a lógica tradicional do setor. “O e-commerce deixa de ser contínuo e passa a ser episódico, ou melhor, agora os episódios acontecem todos os meses e não somente em novembro. As datas duplas funcionam como mini Black Fridays distribuídas ao longo do ano”.
No comparativo entre plataformas no dia 2/2, o Mercado Livre registrou crescimento de 158%, enquanto a Shopee avançou 143%. A Amazon teve alta de 14%. Já outros marketplaces apresentaram perda de relevância relativa, indicando, conforme os dados, uma redistribuição de atenção e investimento por parte dos sellers.
Além dos marketplaces tradicionais, o levantamento aponta a entrada do social commerce como fator estrutural no ambiente competitivo. O TikTok Shop passou a figurar como novo participante relevante, reunindo descoberta e conversão em um mesmo ambiente digital. Segundo o ANYMARKET, o modelo difere da lógica de busca ao priorizar conteúdo e engajamento.
“O TikTok deixa claro que vender não é só estar onde o consumidor procura, mas onde ele se entretém. É um canal que mistura mídia, conteúdo e checkout na mesma experiência e de forma conversacional com o consumidor final”, afirmou Victor Cobo.
O executivo também analisou o impacto do crescimento sobre a participação de mercado das plataformas. “O mercado vive uma verdadeira dança das cadeiras. Não é só quem cresce, mas quem captura share. Plataformas asiáticas como a Shopee deixaram de ser alternativas e passaram a ser estruturais no ecossistema brasileiro”.
Os dados mostram ainda aumento no valor médio das compras. Enquanto o número de pedidos subiu 78%, o GMV avançou 107%. Segundo a análise, o resultado indica maior gasto por pedido, mesmo em um cenário de juros elevados, associado a estratégias como parcelamentos, descontos via PIX, parcerias com fintechs e uso de cupons.
“Mesmo com crédito caro, as plataformas estão reprogramando o comportamento de compra. Não é apenas promoção, é arquitetura financeira alavancando a experiência do consumo”, explicou Cobo.
O impacto das datas duplas também alcançou a operação e o atendimento. Informações do Predize, empresa do Grupo DB1, indicam que soluções baseadas em inteligência artificial influenciaram mais de 400% nas conversões em relação ao ano anterior, por meio de respostas automáticas que aceleram a finalização da compra.
Outro dado destacado foi o aumento de 241% na abertura de chamados durante a data, refletindo dúvidas de consumidores após a conclusão dos pedidos. Segundo a empresa, o SLA de atendimento é um dos fatores que compõem a reputação dos sellers nos canais digitais.
“A IA, além de converter, resolve indicadores estratégicos do seller. E isso acontece não apenas no pré, mas também no pós-venda. Prova disso foi o aumento de 241% na quantidade de chamados abertos na data, refletindo em compradores que, de alguma forma, tiveram dúvidas sobre pedidos recém-realizados. Um bom atendimento neste momento gera retenção e bom relacionamento. A tecnologia deixa de ser eficiência e passa a ser infraestrutura para sustentar a experiência em momentos de pico”, afirmou.
“Nos novos capítulos do e-commerce, não vence só quem comunica melhor ou subsidia mais, mas quem consegue atender sem fricção quando o volume explode e está atento e presente em todos os canais”, disse Cobo.
Para marcas e sellers, o levantamento indica que a ausência nas datas estratégicas pode resultar em perda de visibilidade. “Os marketplaces estão abrindo as ondas do consumo digital. As marcas que não estiverem preparadas para surfar esses movimentos ficam para trás”, concluiu.