Cartão de crédito perde espaço no e-commerce com avanço do Pix parcelado

Com endividamento em alta, brasileiros recorrem a novos meios de pagamento para manter o consumo e garantir flexibilidade financeira
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O comércio eletrônico brasileiro tem registrado crescimento no interesse por ofertas, mas enfrenta obstáculos na etapa final das compras. Em 2024, a Black Friday movimentou R$ 9,38 bilhões entre quinta-feira (28) e domingo (1º), segundo a Neotrust, o que representa alta de 10,7% em relação ao ano anterior. Apesar do avanço, mais de 80% das transações iniciadas não chegam a ser concluídas, conforme levantamento do E-commerce Radar.

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 78,2% das famílias brasileiras iniciaram 2025 endividadas, o maior percentual desde o início da série histórica em 2010. Esse endividamento limita a capacidade de compra e afeta o consumo em datas promocionais, como a Black Friday.

A pesquisa Pagamentos Disruptivos, da OneKey Payments, mostrou que 82% dos consumidores abandonam o carrinho durante o checkout, sendo o limite insuficiente do cartão de crédito e falhas de autenticação os principais motivos. “Grande parte dos consumidores quer comprar, mas não consegue pagar. Oferecer alternativas além do cartão é o que transforma intenções em conversão”, afirma Reinaldo Boesso, CEO e cofundador da TMB, fintech especializada em soluções de crédito e pagamentos via boleto e Pix parcelado.

Fundada em São José dos Campos (SP), a TMB desenvolve soluções voltadas para o mercado digital, especialmente para infoprodutores. A tecnologia da empresa permite o parcelamento via boleto e Pix, sem depender do limite de cartão do comprador. Segundo Boesso, esse modelo amplia o acesso e reduz as perdas de vendas. “O brasileiro tem, em média, R$ 1.400 de limite no cartão de crédito, enquanto o ticket médio de um curso online passa de R$ 1.900. Essa diferença explica por que muitos carrinhos ficam cheios, mas as vendas não se concretizam. É um problema de crédito, não de interesse”, afirma.

O uso do boleto e do Pix parcelado tem se consolidado como alternativa eficaz para destravar vendas digitais. Esses meios não dependem de limite de crédito, o que facilita transações de maior valor. Dados da Reuters indicam que o valor transacionado via Pix durante a Black Friday de 2024 mais que dobrou em relação ao ano anterior, passando de R$ 58,9 bilhões para R$ 130 bilhões.

Para ampliar a adesão, a TMB lançou sua campanha de Black Friday 2025 com taxa zero e retomou a parceria com a Livelo, oferecendo até 1 milhão de pontos para parceiros que atingirem metas de faturamento com vendas realizadas via boleto e Pix parcelado. “Nosso papel é democratizar o acesso e dar autonomia financeira aos criadores digitais. As opções de pagamento oferecem liberdade para o cliente e previsibilidade para o vendedor. Não é só sobre vender mais, mas sobre construir sustentabilidade financeira no digital”, diz Boesso.

Dados da EBANX e PCMI apontam que, em 2025, o Pix deve ultrapassar o cartão de crédito nas transações online, representando 44% das operações, contra 41% dos cartões.

Segundo Boesso, a Black Friday serve como termômetro da maturidade digital do mercado brasileiro. “A maioria das empresas se concentra em criar a melhor oferta, mas esquece de olhar para o pagamento. E é ali que se perde boa parte da receita. Ao dar opções fora do sistema bancário tradicional, mostramos que o problema não é o consumidor, é o meio”, conclui o executivo.

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