Com a aproximação do Natal, uma das principais datas do calendário do varejo, vendedores que atuam em marketplaces intensificam estratégias para atender ao aumento da demanda. Segundo dados da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom), o setor deve movimentar R$ 26,82 bilhões no período, crescimento de 14,95% em relação a 2024.
Embora o cenário seja de expectativa positiva, o aumento no volume de pedidos também amplia desafios logísticos, operacionais e de atendimento. De acordo com Rodrigo Garcia, diretor-executivo da Petina Soluções Digitais, o período funciona como um teste de maturidade para os lojistas digitais. “É fundamental estar pronto para o aumento no volume de acessos, logística e atendimento eficientes, ou se corre o risco de transformar o melhor período do ano em ‘tiro no pé’”, afirma.
Segundo o executivo, a Inteligência Artificial tem se consolidado como ferramenta estratégica para otimizar processos e reduzir falhas comuns nessa época. Garcia aponta cinco erros recorrentes que comprometem o desempenho no Natal e explica como a tecnologia pode ajudar a evitá-los.
O primeiro deles é a preparação inadequada do estoque. A falta de produtos ou atrasos nas entregas impactam diretamente a experiência do consumidor e a reputação da loja. “Sistemas de previsão de demanda baseados em IA analisam histórico de vendas, sazonalidade, tendências de mercado e até movimentações de concorrentes para gerar projeções muito mais precisas”, explica Garcia. Ele acrescenta que a tecnologia também identifica riscos de ruptura e sugere ajustes automáticos junto a fornecedores.
Outro ponto crítico é a baixa qualidade dos anúncios. Títulos genéricos, descrições incompletas e imagens pouco atrativas reduzem a conversão e prejudicam o ranqueamento nos marketplaces. Ferramentas de IA, segundo Garcia, auxiliam na otimização de textos, indicam palavras-chave mais buscadas e avaliam a qualidade visual dos anúncios. “Os marketplaces funcionam como buscadores. Anúncios completos e atrativos agora facilmente aprimorados pela IA, aumentam significativamente a visibilidade”, diz.
A comunicação com o cliente também aparece como fator decisivo. Em períodos de alto volume, falhas no atendimento e demora nas respostas comprometem a jornada de compra. Nesse contexto, chatbots inteligentes e sistemas de CRM baseados em IA conseguem priorizar mensagens, responder dúvidas com contexto e personalizar o contato. “Em datas de alto volume, atender rápido faz toda a diferença”, orienta Garcia.
O pós-venda é outro aspecto frequentemente negligenciado. Conforme o executivo, a fidelização depende do acompanhamento da experiência após a compra. A IA permite automatizar mensagens, antecipar problemas de entrega e analisar sentimentos em avaliações. “O pós-venda é o berço da fidelização, e a IA permite que isso aconteça de forma escalável e inteligente”, afirma.
Por fim, Garcia destaca os cancelamentos de pedidos como um dos principais impactos negativos no desempenho das lojas. Fraudes, falhas de pagamento e problemas internos afetam indicadores de reputação. Ferramentas antifraude e sistemas inteligentes conseguem identificar inconsistências rapidamente e recomendar ações preventivas. “Cada pedido cancelado afeta o faturamento e reputação. A IA ajuda a minimizar erros internos e evita que vendas sejam perdidas à toa”, explica.
Para o diretor-executivo da Petina Soluções Digitais, a combinação entre planejamento antecipado e uso estratégico da tecnologia tende a diferenciar os lojistas mais preparados. Segundo ele, em um ambiente competitivo, a atenção aos detalhes, apoiada pela Inteligência Artificial, pode ser decisiva para transformar acessos em vendas efetivas.