Planejamento jurídico deixa de ser checklist e passa a definir riscos para 2026

Especialista aponta que empresas que não mapearem riscos jurídicos estruturais tendem a perder previsibilidade, valor e capacidade de negociação no próximo ciclo
A businessman in a dark suit points forward, emphasizing focus and professionalism.
Lukas
A businessman in a dark suit points forward, emphasizing focus and professionalism.
Lukas

À medida que empresas se aproximam do planejamento para 2026, cresce a percepção de encerramento de ciclo com o fechamento de balanços e revisão de metas. No entanto, segundo especialistas, os principais fatores de exposição para o próximo ano não estão nos números consolidados, mas nos riscos jurídicos que permanecem sem mapeamento adequado.

O alerta é do advogado Sandro Wainstein, especialista em gestão de risco e negociação. De acordo com ele, o ambiente empresarial deve enfrentar, em 2026, aumento da pressão jurídica, impulsionado por mudanças regulatórias, maior litigiosidade e exigências mais rigorosas de compliance e rastreabilidade das decisões corporativas.

“O erro mais comum é tratar o jurídico como um checklist de conformidade ou como apoio operacional. Esse modelo não responde mais à complexidade do ambiente atual. Empresas que fazem isso entram em 2026 expostas, sem previsibilidade e com perda real de valor”, afirmou Sandro Wainstein.

Entre os principais vetores de risco apontados para o próximo ciclo estão alterações regulatórias que afetam diferentes setores de forma transversal, especialmente nas áreas trabalhista, societária, tributária e de governança. Além disso, conforme o advogado, disputas empresariais têm se tornado mais estratégicas e menos previsíveis, sendo utilizadas, em alguns casos, como instrumento de pressão em negociações.

Outro ponto de atenção envolve operações de fusões e aquisições. Segundo Sandro Wainstein, cresce o número de negócios que acabam travados ou judicializados após a assinatura de contratos que não refletiam adequadamente passivos ocultos ou cláusulas sensíveis. “Fragilidade contratual não é detalhe técnico. Ela define quem controla a narrativa, o tempo e o custo de um conflito quando ele surge”, observou.

O cenário também indica avanço da judicialização das relações societárias e trabalhistas. De acordo com o especialista, estruturas societárias mal definidas, acordos informais e decisões sem documentação adequada ampliam a exposição das empresas a conflitos futuros. Nesse contexto, a exigência de compliance e rastreabilidade decisória ganha relevância não apenas para atender reguladores, mas também para sustentar estratégias de defesa.

Para Sandro Wainstein, a mudança de postura passa pelo entendimento do jurídico como parte central da estratégia empresarial. “Segurança jurídica não é ausência de processo. É capacidade de antecipar cenários, calcular risco e tomar decisões com consciência do impacto jurídico, financeiro e reputacional. Quem faz isso ganha previsibilidade. Quem não faz, reage”, resumiu.

Segundo o advogado, o planejamento jurídico deve ser incorporado às decisões estratégicas desde a sua origem. “O jurídico precisa sentar na mesa onde as decisões são tomadas, não entrar depois para tentar consertar. Planejamento jurídico não é discurso de ano novo. É uma ferramenta concreta de proteção e de vantagem competitiva”, concluiu.

O debate reforça um alerta para 2026. Empresas que tratam o jurídico como elemento estratégico tendem a atravessar o próximo ciclo com maior controle e capacidade de negociação. Já aquelas que mantêm uma postura reativa podem enfrentar custos elevados para lidar com riscos que poderiam ter sido antecipados.

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