Ibovespa engata terceira queda seguida em dia de cautela antes do feriado e do payroll nos EUA

Com baixa liquidez e forte aversão ao risco, índice volta a buscar suporte na faixa dos 155 mil pontos
Arturo Añez
Arturo Añez

O Ibovespa voltou a recuar nesta quarta-feira (19) e completou a terceira perda consecutiva, algo que não ocorria havia um mês e meio. O índice caiu 0,73%, aos 155.380,66 pontos, uma baixa de 1.141,47 pontos, após as quedas registradas na segunda-feira e na terça-feira.

No câmbio, o dólar comercial retomou a trajetória de alta, subindo 0,39%, a R$ 5,338, enquanto os juros futuros encerraram o dia em queda ao longo de toda a curva, refletindo um ambiente global mais defensivo e o avanço da percepção de risco local.

A cautela dominou o pregão brasileiro não apenas por causa do tom mais pesado dos mercados globais, mas também pela particularidade da agenda doméstica: apesar dos dados relevantes previstos para esta quinta-feira, a Bolsa estará fechada devido ao feriado. Nos Estados Unidos e na Europa, investidores poderão reagir imediatamente às novidades — no Brasil, a resposta ficará para a sexta-feira. Isso reforçou a postura de menor exposição.

O foco desta quinta também recairá sobre a divulgação do payroll, o relatório mais importante do mercado de trabalho americano e peça central para as decisões do Federal Reserve. Desde o fim do shutdown do governo dos EUA, uma série de indicadores represados tem sido divulgada, elevando o nervosismo dos investidores com a economia americana e seu impacto nas políticas monetárias.

Nem mesmo em Wall Street a aversão ao risco deu trégua. Os principais índices passaram boa parte do pregão andando de lado, antes de ganharem leve impulso após a divulgação da ata da reunião de outubro do Fed. Mas o tom ainda foi de prudência.

No Brasil, entretanto, o ambiente ficou mais pesado em razão das repercussões da liquidação do Banco Master, decretada na terça-feira pelo Banco Central. O caso pode custar até R$ 49 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre perdas de clientes de instituições financeiras em quebra. Analistas seguem avaliando o impacto potencial para o sistema e, sobretudo, para os bancos — o que voltou a se refletir no Ibovespa hoje.

Entre os grandes bancos, mais um dia de perdas amplificou o mau humor do mercado: Banco do Brasil ON (BBAS3) recuou 1,37%, Bradesco PN (BBDC4) caiu 1,00%, Itaú Unibanco PN (ITUB4) perdeu 0,62% e Santander Brasil Unit (SANB11) retrocedeu 0,72%. Até mesmo a própria B3 ON (B3SA3) entrou na linha de pressão e caiu 1,42%. As revisões de analistas após os resultados do 3T25 também influenciaram esse movimento.

Embora o setor financeiro tenha pesado, ele não foi o único responsável pela queda do índice. A Vale (VALE3) caiu 0,11%, apesar da alta do minério de ferro na China e do lançamento de US$ 750 milhões em títulos subordinados. A Petrobras PN (PETR4) também recuou, perdendo 0,52%, acompanhando o recuo mais forte do petróleo no exterior, influenciado por novas esperanças de avanço nas negociações que possam aliviar a guerra na Ucrânia, que está próxima de completar quatro anos. As petroleiras independentes seguiram o mesmo caminho, com PRIO (PRIO3) caindo 1,57%.

No varejo alimentar, Assaí (ASAI3) recuou 3,05%, após detalhar no Dia do Investidor um pacote de iniciativas estratégicas focadas em geração de valor, mas que ainda não convenceram parte do mercado diante do cenário competitivo mais duro.

Entre os poucos destaques positivos do dia, Hapvida (HAPV3) subiu 2,00%, tentando recuperar parte das perdas pesadas da última semana, enquanto analistas seguem divididos sobre o potencial do papel após o choque recente. Já Braskem (BRKM5) avançou 0,63%, apoiada na expectativa de entrada de um novo acionista e nas tratativas sobre programas de subsídio.

O pregão desta quarta-feira, portanto, reforçou o clima de precaução que deve continuar dominando os próximos dias. Com payroll e feriado no radar, o investidor brasileiro entrou no modo defensivo — e preferiu esperar.

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