O Ibovespa conseguiu avançar nesta sexta-feira, mas não evitou um saldo negativo na última semana cheia do ano. O principal índice da B3 fechou em alta de 0,35%, aos 158.473,02 pontos, com ganho de 544,71 pontos. Ainda assim, no acumulado semanal, a Bolsa recuou 1,41%, refletindo a volatilidade recente e as incertezas que marcaram os últimos pregões.
Durante o dia, o mercado operou com viés positivo, apoiado principalmente pelas blue chips e pelo desempenho favorável das bolsas internacionais, em um ambiente de maior apetite por risco.
O dólar comercial teve uma sessão marcada por forte oscilação, antes de encerrar com leve alta de 0,12%, cotado a R$ 5,529. A volatilidade do câmbio reflete a cautela dos investidores com o cenário fiscal e político, além da menor previsibilidade global. O JPMorgan, inclusive, optou por não divulgar projeções para o câmbio em 2026, diante do elevado grau de incerteza.
Já os juros futuros apresentaram alívio, com os DIs encerrando a sessão em queda por toda a curva, movimento que ajudou a sustentar o desempenho positivo da Bolsa no pregão.
Brasília e cenário fiscal
No campo doméstico, o destaque foi a aprovação do Orçamento de 2026 pelo Congresso Nacional, no último dia de atividade legislativa do ano. Apesar de ocorrer no apagar das luzes, a votação evitou a repetição do impasse registrado no ano anterior, quando o tema acabou sendo postergado.
O texto aprovado, no entanto, elevou significativamente o volume de emendas parlamentares, que alcançaram R$ 61 bilhões, mais de 20% acima do orçamento anterior, mantendo o debate fiscal no radar dos investidores.
Mercados externos
No exterior, o tom foi amplamente positivo. Em Nova York, os principais índices avançaram com consistência, impulsionados novamente pelo setor de tecnologia, enquanto as bolsas europeias encerraram o dia em máximas. Esse ambiente externo mais favorável contribuiu para sustentar o apetite por ações no mercado brasileiro.
Ainda assim, tensões geopolíticas chamaram atenção, com movimentações militares dos Estados Unidos próximas à Venezuela adicionando um elemento de cautela ao cenário global.
Ações e setores
Entre os pesos-pesados da Bolsa, a Vale (VALE3) subiu 0,71%, acompanhando a alta do minério de ferro, enquanto a Petrobras (PETR4) avançou 0,36%, em linha com o ganho do petróleo no mercado internacional.
O setor bancário também teve desempenho positivo na maior parte do dia, com Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander (SANB11) registrando altas, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) destoou e fechou em queda.
Fora do setor financeiro, a Embraer (EMBJ3) voltou a se destacar e subiu 1,41%, impulsionada pela notícia de que a Eve realizou o primeiro voo de seu protótipo de veículo elétrico de decolagem vertical, reforçando o bom momento da companhia no mercado.