Dólar avança pouco no Brasil e fecha a R$ 5,53 em sessão marcada por leilões de câmbio

Movimento externo favorável à moeda foi neutralizado pela maior liquidez doméstica
Karolina Gabrowski
Karolina Gabrowski

O dólar encerrou a sexta-feira (19) praticamente estável frente ao real no Brasil, em um dia marcado por forças opostas no mercado de câmbio. Enquanto a moeda norte-americana ganhou tração no exterior, a atuação do Banco Central brasileiro, por meio de leilões de linha, ajudou a conter uma alta mais expressiva e garantiu maior liquidez ao mercado.

O dólar à vista fechou em leve valorização de 0,11%, cotado a R$ 5,5307. No acumulado da semana, a divisa avançou 2,18%, mas ainda registra queda de 10,49% no ano. No mercado futuro, o contrato de dólar para janeiro, o mais negociado atualmente, subia 0,04% no fim da tarde, negociado a R$ 5,5390 na B3. No segmento comercial, a cotação ficou em R$ 5,530 tanto para compra quanto para venda.

Atuação do Banco Central limita avanço da moeda

Pela manhã, o dólar chegou a ganhar força em sintonia com o exterior, refletindo a reação dos investidores à decisão do Banco do Japão de elevar os juros, ainda que sem sinalizações claras sobre os próximos passos da política monetária. Nesse contexto, a moeda atingiu a máxima intradiária de R$ 5,5480 por volta das 9h45.

O movimento, no entanto, perdeu intensidade ao longo da manhã. A partir das 10h30, o Banco Central entrou em ação e realizou dois leilões simultâneos de linha, ofertando dólares com compromisso de recompra. No total, foram vendidos US$ 2 bilhões, o que ampliou a oferta de moeda no mercado e ajudou a reduzir a pressão cambial.

No primeiro leilão, foram aceitas propostas que somaram US$ 1 bilhão, com taxa de corte de 4,919200% e recompra prevista para maio de 2026. No segundo, também foram vendidos US$ 1 bilhão, a uma taxa de 4,856100%, com recompra em junho de 2026.

Fim de ano aumenta demanda por dólares

A estratégia do Banco Central tem como objetivo atender à demanda sazonal por moeda estrangeira típica do fim de ano, período em que empresas intensificam o envio de recursos ao exterior, principalmente para pagamento de dividendos. Em 2025, esse fluxo ganhou força adicional com a antecipação de remessas antes de mudanças tributárias previstas para 2026.

A partir de janeiro, remessas ao exterior passarão a ser tributadas em 10% de imposto de renda, assim como dividendos recebidos acima de R$ 50 mil por mês. A perspectiva dessas alterações tem levado empresas e investidores a antecipar operações, elevando a procura por dólares.

Cenário fiscal também entra no radar

Em Brasília, o mercado acompanhou a votação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026. O texto aprovado pelo Congresso prevê superávit primário de R$ 34,5 bilhões no próximo ano, ligeiramente acima da meta fiscal estabelecida, equivalente a 0,25% do PIB. A proposta agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com esse conjunto de fatores, o dólar encerrou a semana em tom cauteloso, equilibrando pressões externas com a atuação do Banco Central e as expectativas em torno do cenário fiscal e tributário doméstico.

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