O Ibovespa iniciou a semana em ritmo acelerado, subindo 0,77% nesta segunda-feira (10), aos 155.257,31 pontos — novo recorde de fechamento e também de máxima intradiária, ambos pela primeira vez acima dos 155 mil pontos. Foi a 14ª sessão consecutiva de ganhos, sequência que reforça o forte momento da Bolsa brasileira neste fim de 2025.
O dólar comercial acompanhou o bom humor dos investidores e caiu 0,55%, a R$ 5,307, marcando a quarta queda seguida. Os juros futuros (DIs) recuaram por toda a curva, refletindo melhora no ambiente de expectativas domésticas.
Cenário externo: esperança com fim da paralisação nos EUA
Os mercados internacionais operaram em alta nesta segunda-feira, impulsionados por sinais de que o impasse que levou à paralisação do governo dos Estados Unidos pode estar próximo do fim. Os principais índices em Wall Street subiram com força, movimento acompanhado pelas bolsas europeias.
O ouro também se destacou, avançando mais de 3% no dia, em meio ao alívio generalizado dos investidores diante da perspectiva de retomada das atividades governamentais americanas.
Haddad vê espaço para cortes da Selic
No Brasil, as atenções se voltaram para declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante encontro na Febraban. Ele afirmou que há espaço para redução da taxa Selic e que o setor bancário compartilha dessa avaliação.
“Essa opinião é compartilhada por setores da sociedade, inclusive por bancos com os quais me reuni hoje. Há espaço para corte. Isso não é uma questão pessoal, é uma questão institucional”, afirmou Haddad.
O Boletim Focus divulgado nesta manhã mostrou estabilidade nas projeções de inflação para 2025, interrompendo a sequência de revisões para baixo.
Balanços seguem no radar
A temporada de resultados do terceiro trimestre continua movimentando o mercado. A M. Dias Branco (MDIA3) foi destaque negativo do dia, com queda de 11,14% após apresentar números considerados fracos. Já Mater Dei (MATD3) subiu 3,33%, em reação positiva ao balanço.
Entre as companhias que divulgaram resultados nesta segunda-feira, Sabesp (SBSP3) recuou 0,08%, enquanto Braskem (BRKM5) teve leve alta de 0,46%. Marcopolo (POMO4), que vinha acumulando perdas desde a semana passada, ensaiou recuperação e subiu 1,27%.
Blue chips sustentam o índice
As ações de maior peso no Ibovespa contribuíram para o novo recorde. Vale (VALE3) avançou 0,66%, enquanto Petrobras (PETR4) subiu 0,56%, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional.
Entre os bancos, Bradesco (BBDC4) se destacou com alta de 1,87%, seguido por Itaú Unibanco (ITUB4), com +0,67%. Banco do Brasil (BBAS3), porém, caiu 0,48%.
A estreia do novo ticker da Axia Energia — ex-Eletrobras — também chamou atenção. As ações AXIA3 e AXIA6 subiram 1,40% e 1,87%, respectivamente, marcando o primeiro pregão da empresa sob a nova denominação.
Falência da Oi marca o dia
O destaque negativo do pregão foi a Oi, após a Justiça do Rio de Janeiro decretar a falência da companhia. As ações ordinárias (OIBR3) despencaram 35,71%, e as preferenciais (OIBR4) caíram 47,85%, em um pregão marcado por forte volatilidade.
Guararapes (GUAR3) também registrou queda expressiva de 8,65%, após anunciar a venda do Midway Mall, apesar da visão positiva de parte do mercado sobre a medida.
Nesta terça-feira (11), o foco dos investidores estará na divulgação da ata da última reunião do Copom e no resultado do IPCA de outubro, que devem ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária nas próximas semanas.