Dólar fecha em forte alta e supera R$ 5,50 com temores fiscais e pressão externa

Moeda americana encerra a sexta-feira (10) com valorização de 2,38%, influenciada por incertezas sobre receitas do governo e novas ameaças tarifárias de Donald Trump
Karolina Gabrowski
Karolina Gabrowski

O dólar encerrou o pregão desta sexta-feira (10) com forte alta frente ao real, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário fiscal brasileiro e de tensões externas. A moeda norte-americana à vista subiu 2,38%, vendida a R$ 5,503. Na B3, o contrato futuro para novembro — o mais negociado — avançou 1,54%, cotado a R$ 5,489. Na máxima do dia, o dólar atingiu R$ 5,51.

No câmbio comercial, a moeda foi comprada a R$ 5,503 e vendida ao mesmo valor. Já o dólar turismo foi negociado a R$ 5,418 na venda e R$ 5,598 na compra.

De acordo com analistas, a alta reflete a reação negativa do mercado à incerteza sobre como o governo federal pretende recompor as receitas após a derrubada da Medida Provisória 1.303 no Congresso Nacional. A medida previa mudanças na tributação de incentivos fiscais concedidos por estados e municípios.

Durante o dia, investidores também acompanharam declarações de autoridades em evento de lançamento do novo crédito imobiliário. O mercado aguarda mais detalhes sobre as medidas que podem compensar as perdas fiscais decorrentes da decisão parlamentar.

As declarações de Trump também afetaram o desempenho da Bolsa brasileira, com a saída de investidores estrangeiros diante da perspectiva de um comércio global mais restritivo. A combinação entre incertezas fiscais internas e riscos internacionais elevou a demanda pela moeda americana, considerada um ativo de proteção em momentos de instabilidade.

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