Dólar sobe e rompe R$ 5,48 com preocupações fiscais e temores externos

Moeda norte-americana avança mais de 2% ante o real nesta sexta-feira (10), enquanto investidores reagem ao Orçamento de 2026 e a tensões comerciais globais
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O dólar opera em forte alta nesta sexta-feira (10), contrariando o movimento do exterior, com os investidores reagindo ao noticiário sobre o Orçamento do governo federal para 2026 e às incertezas fiscais. Às 12h43, o dólar à vista subia 2,05%, sendo vendido a R$ 5,485. Na B3, o contrato futuro de novembro, o mais negociado, avançava 1,54%, cotado a R$ 5,489.

No câmbio comercial, a moeda norte-americana era comprada a R$ 5,484 e vendida a R$ 5,485. Já o dólar turismo era negociado a R$ 5,418 na venda e R$ 5,598 na compra.

De acordo com Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, a valorização do dólar reflete preocupações com o cenário fiscal brasileiro e um aumento da aversão ao risco, após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar a possibilidade de elevar tarifas sobre produtos chineses.

No mercado internacional, o dólar registrava perdas frente a outras moedas importantes, como o euro e o iene, que recentemente vinham sendo pressionados pelas instabilidades políticas na França e no Japão.

Conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o pacote de medidas do governo para 2026 poderia somar cerca de R$ 100 bilhões, sem que haja garantias de receita. O plano incluiria ampliação da isenção do Imposto de Renda, subsídios para gás de cozinha, isenção na conta de energia para famílias de baixa renda e bolsas estudantis — todos programas já anunciados anteriormente.

Ainda que o governo não tenha divulgado novas medidas, o mercado reagiu com cautela nesta manhã, avaliando que o período pré-eleitoral de 2026 pode ser marcado por gastos com impacto fiscal relevante.

Paralelamente, o governo federal anunciou mudanças nas regras do crédito imobiliário, com o fim gradual do direcionamento obrigatório dos depósitos da poupança para o setor e a redução dos depósitos compulsórios no Banco Central. O novo modelo deverá vigorar integralmente a partir de janeiro de 2027, segundo o Palácio do Planalto.

Atualmente, 65% dos recursos da poupança devem ser aplicados no crédito imobiliário e outros 20% recolhidos compulsoriamente ao Banco Central. Durante o período de transição, o percentual dos compulsórios será reduzido para 15%. O limite máximo para financiamento de imóveis pelo Sistema Financeiro de Habitação também foi ampliado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.

Com informações da Reuters

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