A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano está fortalecendo o mercado de locação no Brasil. Com o crédito imobiliário mais caro e o financiamento de longo prazo menos acessível, aumenta o número de famílias que adiam a compra da casa própria e optam por alugar imóveis. O cenário tem impulsionado o avanço do modelo multifamily, formato de empreendimento construído exclusivamente para locação.
De acordo com Vitor Costa, country manager da Greystar no Brasil, o alto custo do crédito tem dificultado a compra de imóveis, consolidando o aluguel como alternativa mais racional e financeiramente flexível, especialmente nas grandes capitais. Segundo ele, o modelo multifamily se destaca pela flexibilidade dos contratos, que variam de 1 a 24 meses, dispensando fiador ou seguro fiança, além de oferecer unidades mobiliadas e áreas comuns com lavanderia, academia e coworking.
Levantamento da consultoria SiiLA mostra que o setor de multifamily registrou crescimento de 3,5% entre o quarto trimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2025, somando 12,3 mil unidades e 674 mil m² em operação no país. A pesquisa indica também que as novas gerações valorizam mais a experiência e a mobilidade do que a posse de um imóvel, preferindo morar perto do trabalho e ter acesso a transporte público de qualidade.
Para investidores institucionais, o multifamily vem se consolidando como um ativo de longo prazo com retorno previsível e menor volatilidade em comparação a outros segmentos do mercado imobiliário. Segundo Costa, o desafio atual é estruturar um mercado ainda em formação, adaptando as melhores práticas internacionais à realidade brasileira e fortalecendo a confiança na locação profissional.