Reforma Tributária deve alterar dinâmica dos investimentos e estimular valorização imobiliária

Mudanças no sistema de tributos tendem a simplificar operações, favorecer o crédito e ampliar as condições para que diferentes segmentos do mercado imobiliário avancem nos próximos anos
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O mercado imobiliário brasileiro inicia 2025 com cenário de estabilidade nas vendas e manutenção da demanda por novas unidades, mesmo diante dos juros elevados. Segundo dados divulgados pelo setor, o conjunto das atividades imobiliárias representa cerca de R$ 359,5 bilhões do PIB nacional. Esse ambiente ganha novo contorno com a reforma tributária em andamento, que, de acordo com especialistas, poderá reduzir encargos, simplificar procedimentos e favorecer a valorização dos imóveis.

A proposta prevê a unificação de tributos indiretos, como ICMS e ISS, no Imposto sobre Bens e Serviços, cuja implementação deve ocorrer de forma gradual entre 2026 e 2033. O modelo de IVA apresentado no texto-base indica alíquota de 15,9% para operações entre pessoas jurídicas, enquanto pessoas físicas ficariam isentas dessa cobrança. Conforme o CEO da Referência Capital, Pedro Ros, “a simplificação tributária é uma oportunidade de destravar investimentos que hoje ficam paralisados por custos ocultos e insegurança fiscal”.

A mudança também deverá produzir efeitos redistributivos. Estudos apresentados por entidades do setor indicam que famílias de menor renda podem experimentar redução proporcional da carga de tributos, enquanto contribuintes de rendas mais altas absorveriam parte do peso adicional. Embora o foco esteja no consumo, o segmento imobiliário tende a ser impactado pelas revisões de procedimentos, já que a simplificação reduz riscos operacionais e pode estimular o crédito. Entre os segmentos com maior potencial estão fundos imobiliários, locações de curto e médio prazo e imóveis de porte intermediário, que operam com margens diretamente influenciadas pela carga tributária. Já incorporadoras e empresas que utilizam regimes especiais deverão se adaptar a ajustes ou possíveis revisões desses mecanismos.

Segundo Pedro Ros, o cenário dialoga com modelos que vêm ganhando espaço no país. Ele cita “modelos de auto quitação, em que a renda gerada pelo próprio imóvel contribui para o pagamento das parcelas, e o crescimento do short stay em plataformas como o Airbnb mostram como o setor imobiliário vem se adaptando a novos perfis de investidores”. Para o executivo, a reforma tributária tende a fortalecer esse movimento ao reduzir custos e simplificar a tributação das operações. Ros afirma que “quem souber se posicionar bem nessa transição terá vantagem competitiva no ciclo que se abre após 2026”.

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