Novas regras do Minha Casa Minha Vida devem ampliar ritmo da construção civil

Mudanças aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS ajustam tetos, aumentam subsídios e projetam expansão do crédito imobiliário em 2026
Ricardo Stuckert/PR
Ricardo Stuckert/PR

As decisões mais recentes do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço foram anunciadas para atualizar parâmetros do Minha Casa Minha Vida, com revisão de limites de financiamento, ampliação dos subsídios e reforço do orçamento previsto para 2026. As medidas passam a valer gradualmente ao longo do ano, segundo informações divulgadas pelo órgão.

As mudanças incluem aumento aproximado de 20% no orçamento destinado aos subsídios para famílias com renda de até dois mil reais, além do reajuste dos tetos de financiamento nas Faixas 1 e 2, que terão acréscimo médio de 7% em municípios entre 100 mil e 300 mil habitantes. Também houve atualização dos limites dos recortes A1, A2 e D2 para 275 mil reais, 270 mil reais e 235 mil reais, respectivamente.

De acordo com as informações apresentadas, o orçamento total da habitação para 2026 chegará a 144,5 bilhões de reais, enquanto a verba destinada aos descontos alcançará 12,5 bilhões de reais. A expectativa é que a ampliação dos recursos permita estimular novos lançamentos, fortalecer a contratação de unidades e ampliar o acesso à moradia para diferentes faixas de renda.

Segundo a BRN Construtora, que atua na produção de empreendimentos residenciais populares em cidades do interior paulista, as mudanças corrigem distorções que vinham afetando o ritmo de produção. A empresa afirma que o pacote de atualizações cria ambiente mais previsível para novos projetos ao oferecer maiores limites e mais segurança regulatória.

A construtora, que figura entre as maiores do país e acumula empreendimentos enquadrados no MCMV, avalia que a revisão fortalece o mercado habitacional. A companhia aponta que os agentes financeiros devem incorporar as mudanças de forma gradual, o que tende a favorecer a expansão do crédito e a demanda ao longo do ano.

O diretor jurídico e institucional da BRN, Evandro Nobre Cruz, explica que a atualização acompanha a variação dos custos de terreno, mão de obra e materiais. “A revisão dos tetos e dos subsídios recoloca o programa em sintonia com a realidade do mercado. Isso significa permitir que mais famílias tenham acesso ao financiamento e dar às construtoras a segurança necessária para planejar novos empreendimentos com previsibilidade econômica”, afirma.

Evandro destaca que o impacto será mais perceptível nas regiões de forte atuação da empresa, especialmente no interior paulista. Segundo ele, os novos limites tornam viáveis projetos em municípios de médio porte. “Os municípios de médio porte, agora contemplados com valores mais adequados, passam a oferecer condições reais para a expansão da produção habitacional. É um avanço que beneficia diretamente o desenvolvimento regional e fortalece toda a cadeia produtiva da construção”, completa.

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