A inteligência artificial vem ganhando espaço no planejamento de viagens entre os brasileiros. Segundo um estudo divulgado pela Booking.com, 63% dos viajantes no Brasil utilizaram ferramentas de IA em 2025 para organizar ou auxiliar experiências de turismo. Além disso, oito em cada dez entrevistados afirmaram que pretendem usar a tecnologia em 2026.
Apesar do crescimento da adesão, o levantamento indica que a IA ainda é vista principalmente como ferramenta de apoio. As decisões consideradas mais importantes continuam sob controle dos próprios viajantes. Apenas 18% dos brasileiros afirmaram ter usado inteligência artificial para efetivamente realizar reservas, enquanto a maioria utilizou os recursos em etapas de pesquisa e preparação.
De acordo com o estudo, 44% recorreram à IA para receber sugestões de atividades e recomendações de restaurantes. Outros 36% utilizaram a tecnologia para organizar aspectos práticos da viagem, como listas de bagagem e dicas de segurança. Já 34% disseram ter usado ferramentas de IA para comparar opções de hospedagem e destinos.
Entre os benefícios percebidos, pouco mais da metade dos entrevistados, equivalente a 51%, afirmou que a tecnologia ajudou na descoberta de novos roteiros, destinos e experiências. Além disso, 47% destacaram a economia de tempo durante o planejamento das férias. Outros 42% relataram auxílio na resolução de problemas durante a viagem, enquanto 41% apontaram ajuda para encontrar ofertas e controlar gastos.
O levantamento também identificou diferenças no comportamento entre homens e mulheres. Entre as mulheres, 54% citaram a geração de ideias e inspiração como principal benefício da IA, frente a 48% dos homens. Já entre os homens, 45% destacaram a economia financeira proporcionada pela tecnologia, ante 37% das mulheres.
A confiança no uso da inteligência artificial varia conforme o tipo de decisão. Segundo a pesquisa, 46% dos brasileiros se sentem confortáveis em permitir que assistentes de IA façam reservas automáticas de atividades e passeios. Para reservas em restaurantes, o índice é de 43%.
No entanto, quando as decisões envolvem custos mais altos, a resistência aumenta. Apenas 37% afirmaram confiar na IA para escolher hospedagens, enquanto 32% se disseram confortáveis em deixar a ferramenta comprar passagens aéreas automaticamente.
Entre os entrevistados que ainda não utilizaram IA em viagens, os principais motivos estão relacionados ao comportamento do consumidor. Cerca de 35% disseram preferir recomendações humanas, enquanto 34% afirmaram gostar de planejar as viagens por conta própria. Outros 23% relataram não saber como utilizar ferramentas de inteligência artificial para organizar férias.
O estudo também mostra diferenças entre gerações. Entre os viajantes da Geração Z, de 18 a 28 anos, 69% utilizaram IA em viagens no último ano. Já entre a Geração X, de 45 a 60 anos, o índice foi de 51%.
Os Millennials, grupo entre 29 e 44 anos, lideram a intenção de uso futuro. Segundo a pesquisa, 83% pretendem utilizar inteligência artificial em viagens em 2026. Esse público também demonstra maior disposição em permitir reservas automáticas feitas pela tecnologia, inclusive para passagens aéreas.
Regionalmente, o Norte apresentou o maior índice de adoção, com 71% dos viajantes afirmando ter utilizado IA em 2025. O Nordeste aparece em seguida, com 66%. No Centro-Oeste, o percentual foi de 63%, enquanto o Sudeste registrou 61% e o Sul, 58%.
A intenção de uso em 2026 segue a mesma tendência regional. No Norte, 85% afirmaram que pretendem utilizar inteligência artificial em viagens no próximo ano. Já no Nordeste, o índice chegou a 84%, ambos acima da média nacional.
Segundo a Booking.com, a pesquisa foi realizada em janeiro de 2026 com 32,8 mil pessoas em 34 mercados. Participaram viajantes com 18 anos ou mais, que fizeram ao menos uma viagem de lazer nos últimos 12 meses e pretendem viajar novamente em 2026.