Inteligência artificial ajuda empresas a enfrentar picos de demanda durante a Copa

Tecnologia permite identificar gargalos, reduzir filas e preservar a experiência do consumidor em períodos de maior movimento, segundo especialistas
a golden soccer trophy sitting on top of a field
My Profit Tutor
a golden soccer trophy sitting on top of a field
My Profit Tutor

Enquanto a Copa do Mundo mobiliza milhões de brasileiros, empresas de diferentes segmentos também enfrentam um aumento expressivo na demanda por vendas, atendimento e suporte ao cliente. Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) vem sendo utilizada para monitorar operações em tempo real, reduzir gargalos e minimizar o risco de perda de consumidores durante períodos de maior fluxo.

Grandes eventos esportivos costumam provocar crescimento repentino no número de acessos, compras e contatos nos canais de atendimento. Como consequência, empresas que ainda operam com processos manuais ou sistemas pouco integrados podem enfrentar filas, atrasos e dificuldades para atender os consumidores dentro dos níveis esperados de serviço.

Segundo a pesquisa Future of Customer Experience, da PwC, 32% dos consumidores deixam de fazer negócios com uma marca da qual gostam após uma única experiência negativa. Além disso, o relatório Zendesk CX Trends 2026 aponta que 63% dos clientes estão dispostos a trocar de empresa depois de apenas um atendimento insatisfatório. Em períodos de alta demanda, esses fatores podem gerar impactos na receita, na reputação e na fidelização dos consumidores.

De acordo com Danilo Godoy Moreira, CGO e cofundador da StaryaAI, os períodos de pico tornam mais visíveis problemas que já fazem parte da rotina operacional das empresas.

“Esses eventos concentram picos repentinos de demanda em um curto espaço de tempo. Quando a operação ainda depende de processos manuais, sistemas desconectados e filas invisíveis, qualquer aumento no volume de contatos pressiona o atendimento, amplia os tempos de resposta e expõe gargalos que já existiam, mas permaneciam ocultos na rotina. O resultado pode ser uma queda na qualidade do atendimento e, consequentemente, impactos diretos nas vendas e na fidelização dos clientes”, afirma.

Monitoramento em tempo real

Segundo especialistas, uma das principais contribuições da inteligência artificial está na capacidade de acompanhar indicadores operacionais continuamente. Entre eles estão tempo médio de atendimento, tempo da primeira resposta, cumprimento dos acordos de nível de serviço (SLA), volume de contatos, taxa de abandono, retenção por fluxo, filas por canal e índices de satisfação dos clientes.

Com essas informações, gestores conseguem identificar sinais de sobrecarga antes que eles afetem diretamente o consumidor, permitindo redistribuir equipes, ajustar processos e corrigir falhas de forma preventiva.

“Em momentos de pico, o maior desafio não é apenas responder mais rápido, mas manter a operação sob controle enquanto a demanda cresce. A inteligência artificial permite identificar sinais de sobrecarga antes que eles se transformem em filas, atrasos ou abandono de clientes. Com visibilidade em tempo real dos indicadores operacionais, as empresas conseguem agir de forma preventiva, redistribuir demanda, corrigir gargalos e preservar a qualidade da experiência mesmo sob forte pressão”, avalia Moreira.

Automação reduz filas e melhora o atendimento

Outro desafio enfrentado pelas empresas durante períodos de grande movimentação é evitar que consumidores precisem repetir informações ou aguardem longos períodos por atendimento.

Conforme o relatório Zendesk CX Trends 2026, 74% dos consumidores consideram frustrante repetir informações para diferentes atendentes durante uma mesma solicitação. Nesse cenário, a inteligência artificial permite integrar históricos de atendimento, automatizar triagens, encaminhar solicitações para os setores corretos e preservar o contexto da interação ao longo da jornada do cliente.

Além disso, atividades repetitivas, como autenticação, respostas iniciais, direcionamento de chamados e esclarecimento de dúvidas frequentes, podem ser automatizadas. Dessa forma, as equipes passam a concentrar esforços em demandas mais complexas, aumentando a produtividade sem necessidade de ampliar o quadro de colaboradores na mesma proporção.

“Quando a empresa automatiza os fluxos mais repetitivos, ela libera a equipe humana para situações que realmente exigem intervenção. Isso reduz filas, preserva os níveis de serviço e mantém a operação responsiva mesmo em momentos de alta demanda”, explica.

Identificação de clientes com risco de abandono

Além da eficiência operacional, a inteligência artificial também vem sendo aplicada para identificar consumidores com maior probabilidade de interromper uma compra ou deixar de utilizar os serviços de uma empresa.

Por meio da análise da jornada do cliente, os sistemas conseguem detectar padrões relacionados a atrasos, múltiplos contatos para solucionar o mesmo problema, interrupções em processos de compra e outras situações que podem indicar risco de abandono.

“A análise de jornadas permite identificar padrões de fricção antes que o abandono aconteça. A IA conecta informações, detecta comportamentos de risco e sugere ações corretivas em tempo hábil para recuperar a experiência do consumidor”, complementa Moreira.

Atendimento ganha importância estratégica

Com consumidores cada vez menos tolerantes a falhas, especialistas apontam que o atendimento passou a exercer papel estratégico na competitividade das empresas.

O relatório Zendesk CX Trends 2026 mostra que 63% dos consumidores afirmam estar dispostos a trocar de marca após uma experiência negativa. Outro levantamento da empresa indica que 52% dos clientes já mudaram de fornecedor em razão de problemas no atendimento.

Durante eventos de grande audiência, como a Copa do Mundo, manter a operação estável, responder rapidamente e oferecer suporte eficiente pode influenciar diretamente a conversão de vendas e a fidelização dos consumidores.

“Não adianta gerar demanda se a operação trava no momento da resposta, do pagamento ou do suporte. A inteligência artificial ajuda as empresas a vender mais e, principalmente, a entregar melhor quando o volume aumenta. Quem consegue atender bem sob pressão cria vantagem competitiva e fortalece o relacionamento com seus clientes”, conclui Moreira.

Leia também

Acompanhe tudo sobre

Últimas notícias

Espanha repete feito do Brasil de 1958 em classificação sobre Áustria

Após 3 a 0, Fúria terá Portugal ou Croácia pela frente nas oitavas

BC endurece regras para empresas de ativos virtuais no Brasil

Novas exigências entram em vigor em 2027 e atingem o setor cripto

Bélgica vira contra o Senegal com pênalti no final da prorrogação

Equipe europeia para oitavas de final contra vencedor de EUA X Bósnia