O índice de inadimplência no Brasil apresentou oscilações significativas ao longo de 2025 e fechou o ano em 8,58%, segundo o relatório anual do Índice de Inadimplência do Meu Crediário. O resultado mantém o indicador em patamar elevado e indica que a recuperação observada no fim de 2024 não se sustentou no decorrer do ano seguinte.
De acordo com o levantamento, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a inadimplência registrou média anual de 8,42%. No período, houve variação de quase três pontos percentuais, com o menor índice em fevereiro, de 6,74%, e o pico em junho, quando alcançou 9,70%.
Apesar da leve retração em relação a novembro, quando o índice foi de 8,74%, o fechamento de dezembro ficou acima do registrado no mesmo mês de 2024, que marcou 7,72%. O dado indica a continuidade da pressão sobre o orçamento das famílias e o ambiente de crédito.
“O comportamento de 2025 revela um ciclo clássico de recuperação curta seguida por nova pressão. O crédito voltou a crescer, mas sem um reforço proporcional da renda e da capacidade de pagamento”, afirma Jeison Schneider, CEO do Meu Crediário.
Sudeste lidera inadimplência no recorte regional
Na análise por regiões, o Sudeste encerrou 2025 como a área com maior índice de inadimplência do país, ao atingir 10,46% em dezembro. A região foi a única a ultrapassar a marca de dois dígitos no período analisado.
O Sul apresentou o menor índice, com 6,84%, permanecendo abaixo da média nacional. Já Nordeste, Norte e Centro-Oeste registraram percentuais intermediários, com 9,17%, 8,57% e 8,45%, respectivamente, evidenciando diferenças regionais no impacto do endividamento.
Comparação histórica mostra patamar intermediário
A evolução do fechamento de dezembro nos últimos três anos aponta um cenário intermediário em 2025. Em 2023, a inadimplência chegou a 10,02%, enquanto em 2024 houve queda para 7,72%. O resultado de 2025, de 8,58%, situou-se entre os dois períodos.
No último trimestre de 2025, entre outubro e dezembro, a inadimplência apresentou média de 8,44%, influenciada principalmente pela alta registrada em novembro. O percentual superou o mesmo intervalo de 2024, que teve média de 7,32%, mas ficou abaixo do observado em 2023, quando alcançou 9,30%.
Jovens concentram os maiores índices
O recorte por faixa etária mostra que os consumidores mais jovens concentraram os maiores níveis de inadimplência em dezembro. O grupo de 18 a 25 anos registrou índice de 15,77%, seguido pela faixa de 26 a 35 anos, com 11,88%.
A partir dos 36 anos, os percentuais recuam de forma gradual. Entre consumidores de 36 a 50 anos, o índice foi de 8,47%. Já entre 51 e 65 anos, ficou em 5,67%, enquanto o grupo com mais de 66 anos apresentou 5,55%.
Diferença entre homens e mulheres permanece
A inadimplência também apresentou variação entre gêneros ao longo de 2025. Em dezembro, o público masculino registrou índice de 10,43%, enquanto o feminino ficou em 8,01%. A diferença de 2,42 pontos percentuais se manteve de forma consistente durante o ano.
Setores do varejo apresentam comportamentos distintos
Entre os segmentos do varejo analisados, Roupas e Calçados encerraram dezembro com o maior índice de inadimplência, de 9,56%. Em seguida, apareceram as Óticas, com 8,52%.
O segmento de Móveis e Eletrodomésticos apresentou o menor percentual, de 7,07%. O resultado indica que categorias associadas a compras recorrentes registram mais atrasos do que aquelas ligadas a bens duráveis.
Cenário projeta desafios para 2026
O fechamento de 2025 indica que o mercado de crédito deve enfrentar desafios adicionais em 2026. Segundo o relatório, o cenário reforça a importância de análises de risco mais detalhadas, definição de limites personalizados, monitoramento contínuo do comportamento do consumidor e estratégias de cobrança com foco preventivo.
O desempenho ao longo de 2025 mostra que oscilações econômicas rápidas impactam diretamente a inadimplência e exigem maior atenção das empresas que atuam na concessão de crédito.