Crescimento do consórcio rural impulsiona compra de máquinas no agronegócio

Modalidade representa 51% das adesões em veículos pesados e ganha força entre produtores que buscam planejamento financeiro de longo prazo
André Ulysses De Salis
André Ulysses De Salis

O consórcio rural tem ampliado participação entre produtores que buscam adquirir máquinas agrícolas e investir na expansão das propriedades. Segundo dados divulgados em novembro pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), a modalidade passou a responder por 51% das cotas de veículos pesados, superando caminhões, que representam 41%, e outros equipamentos, com 8%.

De acordo com a entidade, 91,6% dos consorciados contemplados utilizaram as cartas de crédito para adquirir máquinas novas, sendo os tratores os itens mais procurados. O levantamento aponta ainda que 67% dos participantes são pessoas físicas e que 45% têm mais de 45 anos, indicando adesão crescente de produtores com atuação consolidada no setor.

Segundo Cléber Gomes, CEO e sócio-fundador da Maestria, o avanço do consórcio rural está relacionado ao aumento da busca por alternativas ao crédito tradicional. “Essa alta se dá exatamente porque quem compra pelo banco têm até 60 meses para pagar. No consórcio, o pagamento pode ser feito em até 180 meses, ou seja, 15 anos para pagar. É por isso que cada vez mais pessoas do campo têm buscado essa modalidade, ainda mais em um momento em que o crédito está caro e difícil de obter”, afirma.

O estudo apresentado pela ABAC mostra que cerca de 90% dos consorciados ativos atuam diretamente no campo, em propriedades de diferentes portes. As principais culturas relacionadas ao uso das máquinas adquiridas são soja, milho e arroz. Entre janeiro e agosto, o Centro-Oeste concentrou o maior volume de cotas comercializadas, seguido pelas regiões Sudeste e Sul.

Conforme Gomes, a procura é mais intensa em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. “Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás são as regiões com a maior aquisição de máquinas e procura por cotas no consórcio. O produtor rural está cada vez mais consciente da importância do planejamento financeiro e da gestão do fluxo de caixa. Essa modalidade permite que ele programe a compra de um trator, colheitadeira ou implemento sem precisar se endividar com juros altos, o que garante mais previsibilidade e segurança para o negócio”, explica.

Diante da maior demanda por tecnologia e eficiência no campo, o consórcio rural se apresenta como alternativa para investimentos planejados e gestão de longo prazo. O executivo destaca que a modalidade também tem sido utilizada como instrumento de organização patrimonial. “Muitos produtores têm usado o consórcio como uma forma de poupança programada, que, além de proteger o capital, viabiliza a expansão da produção com custos menores. É uma estratégia inteligente de modernização e sustentabilidade financeira no agronegócio”, completa.

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