A Agrotools promoveu, na Fiesp, o painel “Finanças Sustentáveis e Inovação: o papel dos financiadores na transformação do agro brasileiro”, reunindo representantes de bancos e cooperativas que concentram mais de 40% do crédito rural nacional. O encontro debateu como o Open Finance e o uso de tecnologias têm ampliado o acesso a dados financeiros, influenciando a concessão de crédito e a gestão de riscos no setor agropecuário.
De acordo com a empresa, a agenda de finanças sustentáveis no agronegócio está diretamente relacionada à transparência de informações e à inovação tecnológica. Nesse contexto, o crédito foi apontado como elemento central para a transformação do setor, uma vez que impacta desde a produção até a comercialização.
Segundo Lucas Tuffi, CSO da Agrotools, o compartilhamento de dados amplia a capacidade de análise das instituições financeiras. “A transparência de dados se torna uma moeda de ouro na cadeia de valor e um fator determinante para a concessão de crédito, especialmente em um setor complexo como o agro, que envolve riscos climáticos e fundiários”, explica. “A flexibilidade está diretamente relacionada à compreensão dos riscos. Ou seja – quanto mais transparência, maiores as perspectivas de acesso a produtos com maior flexibilidade – quanto menos, a tendência é que os produtos sejam padronizados, dificultando o acesso para pequenos e médios”, completa.
Com o Open Finance, as instituições passam a visualizar não apenas a própria carteira, mas também o nível de endividamento do produtor em diferentes bancos, além de restrições cadastrais, ativos e liquidez. Dessa forma, conforme os participantes do painel, a avaliação de risco tende a se tornar mais precisa.
Impactos na cadeia produtiva
Ainda segundo os debatedores, a saúde financeira do produtor rural possui efeito sistêmico. Produtores com alto grau de alavancagem podem impactar compradores de commodities, bancos e seguradoras. Em cenários mais amplos, a instabilidade financeira pode refletir na oferta de alimentos.
De acordo com Tuffi, dificuldades financeiras podem levar produtores a deixar de contratar seguro rural. “Problemas financeiros podem levar o produtor a não contratar seguro rural, por considerá-lo caro, expondo-o a riscos climáticos e, consequentemente, a problemas na produção”, explica.
Apesar dos avanços, o Open Finance ainda enfrenta resistência cultural e demanda maior compreensão por parte dos usuários sobre seus benefícios. Por outro lado, conforme relatado no evento, grandes corporações já utilizam soluções baseadas em dados para aprimorar processos de concessão de crédito, compra de matéria-prima e gestão de riscos.
Segundo o executivo, instituições como o Rabobank e o Itaú utilizam soluções da Agrotools para ampliar informações antes da concessão de crédito e garantias. O Sicoob, conforme relatado, busca direcionar recursos a empreendimentos sustentáveis com base em dados adicionais sobre os produtores. Já o Sicredi utiliza informações relacionadas a clima e histórico de plantio para planejamento e proteção. A Cargill, por sua vez, adota inteligência de dados para análise prévia antes da aquisição de matéria-prima.
“A Agrotools existe para trazer mais transparência do produtor para as operações das empresas. Por exemplo, Rabobank e Itaú, utilizam nossas soluções para ter mais informações sobre o produtor antes de conceder crédito e garantia. O Sicoob quer garantir que o crédito seja direcionado a empreendimentos sustentáveis além de ter mais informações sobre o produtor antes da concessão. Com o Sicredi, atuamos para fornecer insumos para proteção e planejamento, como dados sobre clima e histórico de plantio. A Cargill conta com nossa inteligência para obter mais informações sobre o produtor antes de comprar matéria-prima”, afirma o CSO. “Operamos como um elo que viabiliza o mercado em torno de dados e inteligência, fornecendo a insights necessários para que o capital sustentável flua com segurança e eficiência em escala”, conclui Tuffi.
