Como se planejar financeiramente para entrar em um consórcio imobiliário

Antes de aderir a um grupo, é necessário avaliar a capacidade de pagamento, as taxas e o prazo de contemplação, que podem alterar o valor final do investimento
Jakub Zerdzicki
Jakub Zerdzicki

O consórcio imobiliário tem se consolidado como alternativa para quem deseja comprar um imóvel sem recorrer ao financiamento tradicional e aos juros elevados. De acordo com dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), em 2025 foram registrados 2,45 milhões de consórcios de imóveis no país, representando um crescimento de 31% em relação a 2024. O aumento reflete, segundo especialistas, a busca por modalidades de aquisição de longo prazo e com custos mais previsíveis.

Cléber Gomes, CEO e sócio-fundador da Maestria, empresa especializada em consórcios e produtos financeiros, explica que o avanço está relacionado ao cenário econômico. “Ao ser contemplado, a carta de crédito permite a compra de casas, apartamentos, terrenos ou até construção e reforma, conforme as regras da administradora. Mas vale lembrar que o consórcio não é solução imediata, mas sim um planejamento de médio a longo prazo”, afirma.

O primeiro passo antes de aderir ao consórcio é analisar a capacidade financeira mensal. O valor da carta de crédito deve estar compatível com o orçamento, considerando não apenas as parcelas, mas também taxas de administração e fundo de reserva, que podem influenciar no valor final pago pelo participante.

Outro ponto de atenção é o prazo do grupo. Quanto maior o período de duração, menores costumam ser as parcelas, mas a contemplação pode demorar mais. Há ainda a opção de oferecer lances para antecipar o recebimento da carta de crédito, estratégia que deve ser planejada com cautela para não comprometer o equilíbrio financeiro.

“O consórcio funciona como uma poupança programada. É preciso disciplina para manter os pagamentos em dia e ter uma boa organização financeira, até mesmo para dar lances e antecipar essa contemplação. Inclusive, é possível usar o FGTS nesse processo”, explica Cléber.

A escolha da administradora também exige cuidado. O ideal é optar por uma empresa autorizada e fiscalizada pelo Banco Central, o que garante mais segurança jurídica ao contrato. A leitura atenta das cláusulas — especialmente as que tratam de desistência e inadimplência — é essencial para evitar imprevistos.

“Evite imprevistos ao longo do caminho e, em caso de dúvidas contratuais, busque orientação com um consultor financeiro ou advogado”, orienta o especialista.

O consórcio imobiliário, segundo o setor, é uma alternativa viável para quem busca disciplina e planejamento financeiro. Apesar de exigir paciência, pode ser uma forma acessível e organizada de conquistar a casa própria a longo prazo.

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