Agronegócio aposta em inovação para resistir aos efeitos do La Niña

Com estiagens previstas para o fim do ano, ferramentas de manejo hídrico se tornam essenciais para garantir sustentabilidade nas lavouras
Francesco Ungaro
Francesco Ungaro

O agronegócio brasileiro se prepara para uma nova fase de desafios climáticos com a possível intensificação do fenômeno La Niña. De acordo com o APEC Climate Center (APCC), há 65% de probabilidade de que o evento ocorra nos próximos três meses, elevando o risco de estiagens prolongadas no Sul e Centro-Sul do país. Segundo dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM) e da Embrapa, a irregularidade das chuvas pode afetar culturas como milho, soja e cana-de-açúcar, especialmente no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

No Rio Grande do Sul, o governo estadual alertou que o retorno do La Niña pode provocar novas perdas de safra e degradação do solo. Já no Centro-Sul, a previsão indica queda na produtividade e aumento dos custos com irrigação, o que pressiona as margens de lucro e ameaça a sustentabilidade financeira de pequenos e médios produtores.

Os períodos de seca prolongada reduzem também a eficiência dos fertilizantes e prejudicam o desenvolvimento radicular das plantas, ampliando o ciclo de vulnerabilidade do solo e da produção. Especialistas apontam que o cenário tende a se agravar com o avanço das mudanças climáticas.

Tecnologia como aliada contra a seca

Para reduzir os impactos das estiagens, produtores rurais têm adotado soluções tecnológicas voltadas à retenção de água e nutrientes no solo. Entre elas, o Gel HyB Plus, desenvolvido pela empresa Hydroplan-EB, tem se destacado por sua capacidade de absorver até 500 vezes o próprio peso em água, formando uma espécie de reservatório na região das raízes.

O produto atua de forma gradual, liberando água e nutrientes conforme a necessidade das plantas, o que ajuda a reduzir o estresse hídrico e aumenta o índice de pegamento das mudas. Além disso, melhora as propriedades físicas do solo, elevando a porosidade e a capacidade de troca de cátions (CTC), o que favorece o enraizamento e o crescimento inicial das culturas.

Segundo Loremberg de Moraes, diretor da Hydroplan-EB, o uso da tecnologia tem contribuído para aumentar a resiliência agrícola. “O produtor precisa atravessar períodos de seca sem comprometer o desempenho da lavoura. O uso de produtos adequados garante um ambiente mais equilibrado para o sistema radicular, reduz o uso de água na irrigação e aumenta a eficiência dos insumos, trazendo economia e sustentabilidade”, afirmou.

O Gel HyB Plus é utilizado em culturas como eucalipto, café, citrus, hortaliças e gramas, e se adapta a diferentes tipos de solo e clima. Por reduzir a necessidade de irrigação e replantios, o produto também ajuda a diminuir o impacto ambiental e otimizar os custos de produção.

Com a previsão de estiagens mais severas e o avanço das mudanças climáticas, a adoção de tecnologias de manejo hídrico tornou-se prioridade no campo. De acordo com especialistas, investir em práticas que promovam a resiliência agrícola é essencial para garantir produtividade, segurança alimentar e sustentabilidade em longo prazo.

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