O uso de drones em atividades ilícitas no Rio de Janeiro reacendeu o alerta sobre a vulnerabilidade do espaço aéreo brasileiro e a necessidade de uma política nacional de defesa aérea. Nos últimos dias, autoridades identificaram o uso dessas aeronaves em operações de monitoramento e apoio a crimes, um cenário que, segundo especialistas, vem se ampliando em todo o mundo.
De acordo com dados da INTERPOL e da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA, na sigla em inglês), o número de incidentes envolvendo drones em áreas sensíveis aumentou mais de 60% nos últimos três anos. O crescimento do uso indevido dessa tecnologia representa um desafio global para governos e forças de segurança.
Hen Harel, fundador e CEO da Ôguen, empresa brasileira especializada em soluções de defesa e segurança perimetral, afirmou que o avanço do uso de drones para fins ilícitos transforma um problema pontual em uma ameaça concreta à segurança nacional. “Qualquer drone comercial pode ser facilmente adaptado para fins ilegais, seja para vigilância criminosa, entrega de materiais proibidos ou até mesmo ataques coordenados. Por isso, o país precisa incorporar sistemas de defesa que permitam detectar, identificar e neutralizar essas aeronaves de forma precisa e segura, sem comprometer comunicações civis”, declarou o executivo.
O tema ganha relevância diante da proximidade de grandes eventos e operações em fronteiras que exigem atenção redobrada das forças de segurança. Países como Estados Unidos, França e Israel já tratam a defesa contra drones como uma questão estratégica, com redes integradas de monitoramento e resposta. No Brasil, embora o uso dessas tecnologias venha crescendo, ainda não há uma política nacional que garanta padronização e cobertura ampla.
A ausência de um sistema integrado deixa brechas que podem ser exploradas por organizações criminosas, colocando em risco a segurança pública e a proteção de infraestruturas críticas. Segundo Harel, é o momento de transformar a preocupação em ação. Ele destacou que o Brasil já possui tecnologia e conhecimento locais capazes de fortalecer essa frente de defesa. “A ameaça já não é mais teórica. Temos tecnologia disponível, amadurecida e comprovada em campo”, concluiu.