Lula critica sanções unilaterais e alerta para risco à democracia em discurso na ONU

Presidente destacou julgamento de Bolsonaro, defendeu reconhecimento da Palestina e pediu compromisso global contra mudanças climáticas.
Ricardo Stuckert/PR
Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, na terça-feira (23), a 79ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Em um discurso de aproximadamente 18 minutos, ele abordou temas internos e internacionais, incluindo democracia, migração, desigualdade, crise climática e conflitos globais.

Durante a fala, Lula criticou o que chamou de “sanções arbitrárias e unilaterais”, em referência indireta aos Estados Unidos. Segundo ele, o mundo presencia o avanço do autoritarismo e a fragilização do multilateralismo. “O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade desta organização [ONU] está em xeque”, declarou.

O presidente também destacou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Lula afirmou que, pela primeira vez na história do país, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, disse.

Outro ponto do discurso foi a desigualdade social. Lula ressaltou que o Brasil deixou recentemente o Mapa da Fome e afirmou que a pobreza ameaça a democracia. Ele criticou a desigualdade de gênero e a xenofobia. “A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares”, declarou.

Lula também citou o papel das grandes empresas de tecnologia e disse que o Brasil aprovou uma das legislações mais avançadas para proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Em relação ao Oriente Médio, o presidente condenou os ataques do Hamas, mas classificou como “genocídio” a ofensiva israelense em Gaza. Ele defendeu o reconhecimento do Estado palestino. “Nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”, afirmou.

Sobre a América Latina, Lula disse que a região atravessa crescente polarização e instabilidade. Ele defendeu o diálogo na Venezuela, criticou a inclusão de Cuba na lista de países que patrocinam o terrorismo e pediu que o Haiti tenha direito a um futuro livre da violência.

O presidente também ressaltou a urgência do enfrentamento às mudanças climáticas. Ele propôs a criação de um conselho de monitoramento climático na ONU e convocou líderes mundiais a assumir compromissos mais ambiciosos. “A COP30, em Belém, no Brasil, será a COP da verdade”, destacou.

No encerramento, Lula citou a morte recente do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, e do Papa Francisco. Ele afirmou que, se estivessem presentes, lembrariam aos líderes que o futuro depende de escolhas diárias e coragem para agir.

Fonte: Agência Brasil

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