Com a recente ansiedade do mercado em torno do financiamento circular e da bolha da IA, foi um momento oportuno para a Nvidia esclarecer o que estava vendo de seu ponto de vista como líder nesta tecnologia. O CEO da Nvidia Jensen Huang defendeu com veemência um cenário muito diferente e identificou três vetores que estavam impulsionando um enorme investimento em nova infraestrutura de computação que, em sua opinião, ainda tem muitos anos de crescimento pela frente:
- O fim da Lei de Moore: a infraestrutura de computação existente que sustenta todos os nossos dados e softwares não é mais escalável, uma vez que a tradicional Lei de Moore perdeu força, impulsionando a necessidade de transição para a computação acelerada a fim de reduzir custos.
- IA generativa: os serviços de internet com os quais interagimos todos os dias são baseados em classificações de pesquisa, mecanismos de recomendação e segmentação de anúncios. Modelos de linguagem grandes são muito mais eficazes para impulsionar esses mecanismos, o que, por sua vez, gera mais receita por meio de mais engajamento e tráfego e melhor identificação da finalidade comercial, levando a taxas de cliques mais altas.
- IA agêntica/IA física: essas novas tecnologias revolucionárias estão criando mercados totalmente novos e muito grandes. Isso está impulsionando alguns dos aumentos de receita mais rápidos que já vimos, com Jensen referindo-se à Anthropic, que passou de US$ 1 bilhão em receita anualizada no início deste ano para US$ 7 bilhões no mês passado.
Outras preocupações recentes têm sido a tese de Michael Burry sobre as hiperescaladoras exagerarem os lucros através da subavaliação da depreciação, financiamento circular e acordos recentes com clientes da concorrência.
- Vida útil de uma GPU: o diretor financeiro destacou que as GPUs Ampere com 6 anos de idade ainda estão disponíveis na nuvem e são totalmente utilizadas hoje, em contraste com a afirmação de Michael Burry de que a vida útil é realmente de apenas 2 a 3 anos. Embora você não usaria uma GPU com 6 anos para treinar um modelo de ponta, é possível usá-la para cargas de trabalho menos intensivas, além disso, eles também destacaram que o desempenho de uma GPU antiga não fica estagnado, pois as atualizações de software podem melhorar significativamente o desempenho ao longo do tempo (4 a 5 vezes para a Hopper ao longo de sua vida útil até o momento).
- Financiamento circular: os investimentos recentemente anunciados pela Nvidia na OpenAI e na Anthropic precisam ser contextualizados em uma empresa que gerou US$ 22 bilhões em fluxo de caixa livre no último trimestre, tem mais de US$ 50 bilhões em caixa líquido no balanço patrimonial e deve gerar mais US$ 300 bilhões em fluxo de caixa livre apenas nos próximos dois anos. A Nvidia defendeu esses acordos como uma forma de expandir seu ecossistema, com a Anthropic se comprometendo esta semana a usar GPUs da Nvidia pela primeira vez, acelerando os planos de crescimento desses novos clientes, bem como os potenciais retornos financeiros futuros de adquirir participações em empresas que consideram ter capacidades geracionais.
- Concorrência: A Nvidia destacou que sua linguagem de programação proprietária CUDA, bem como sua arquitetura versátil, permitem que suas GPUs tenham uma vida útil muito mais longa em comparação com a concorrência, que é limitada a alguns anos, à medida que as tecnologias dos modelos evoluem. Vale ressaltar que, enquanto a AMD prometeu, em seu recente dia do analista, receitas de bilhões de dólares em computação de IA em 2027, a Nvidia acaba de reportar isso em um trimestre. Enquanto outros prometem o futuro, a Nvidia oferece o presente.
Voltando aos resultados em si, a Nvidia superou amplamente as expectativas, acelerando novamente o crescimento e já tendo traçado, em seu recente evento GTC Washington, um caminho para atingir mais de US$ 300 bilhões em vendas de data centers no próximo ano. A empresa afirmou que o acordo HUMAIN com a Arábia Saudita, firmado esta semana, bem como a Anthropic, contribuíram para esse número. Isso continua a incluir vendas mínimas na China, dado o impasse em curso, mas a Nvidia não perdeu a esperança, enfatizando a necessidade de ter um produto competitivo para vender na China e a importância de os Estados Unidos serem capazes de competir globalmente. As previsões do lado comprador continuam bem à frente do consenso formal do lado vendedor, então as atualizações overnight são mais uma recuperação, mas as ações continuam sendo negociadas a uma valorização longe de ser exorbitante, o que continua sendo uma resposta importante às recentes preocupações com a bolha da IA e comparações com 2000.