Preço de locação dos escritórios em São Paulo sobe no 3T25 e reduz margem de negociação

Queda da vacância e valorização dos aluguéis indicam comportamento mais seletivo das empresas em 2025
Bruno Thethe
Bruno Thethe

O mercado imobiliário corporativo de São Paulo registrou queda na vacância, elevação nos preços de locação e absorção líquida positiva no 3º trimestre de 2025 (3T25), conforme dados do RealtyCorp Analytics. Segundo a consultoria, o desempenho indica estabilidade e consolidação do setor, mesmo em um cenário econômico desafiador. O movimento tem sido interpretado por empresas como um “sinal amarelo” para negociações em processos de renovação ou expansão.

A taxa de vacância geral dos edifícios comerciais classificados como Corporate e Office recuou para 14,44%. Além disso, os valores médios de locação apresentaram nova valorização, impulsionados pela demanda contínua por espaços de alto padrão. Conforme a RealtyCorp, esse comportamento reduz o poder de barganha das companhias que buscam renegociar contratos ou ampliar operações.

“A absorção líquida segue saudável, dentro de uma média histórica positiva, mas em ritmo um pouco mais moderado em relação a 2024”, afirmou Marcos Alves, CEO da RealtyCorp. “Trata-se de um movimento natural de acomodação após um ciclo de forte crescimento. Não há motivo para preocupação. É um sinal amarelo e não vermelho. Isso reforça a consistência e a maturidade do mercado”.

Mercado aponta seletividade e previsibilidade

De acordo com o levantamento, a combinação entre vacância em queda e preços em alta indica maior previsibilidade no comportamento dos locatários. As empresas seguem priorizando edifícios de alto padrão bem localizados, o que sustenta a valorização dos ativos mesmo diante da oscilação dos juros. Conforme a consultoria, o movimento também ocorre em empreendimentos intermediários, que registraram redução de vacância e alta gradual nos valores de locação.

“Ao observar um mercado que se ajusta sem sobressaltos e com demanda constante, significa que estamos caminhando para um novo patamar de equilíbrio”, explicou Alves.

Chácara Santo Antônio impulsiona resultados no ano

As macrorregiões da cidade apresentaram comportamentos distintos. Na Macrorregião A, que inclui áreas como Faria Lima e Paulista, houve estabilidade, com estoques reduzidos e alta competitividade pelos espaços disponíveis.

O destaque do trimestre foi a Chácara Santo Antônio, integrante da Macrorregião B (Berrini, Chucri Zaidan e Centro). Depois de um período de estagnação em 2024, a região registrou queda expressiva na vacância dos empreendimentos A+. O indicador passou de 45,67% no 4º trimestre de 2024 para 25,40% no 3º trimestre de 2025, impulsionado por absorções líquidas sucessivas. Entre as principais locações registradas estão as da XP Investimentos e da Arrise iGaming, que, juntas, ocuparam mais de 24 mil m².

Apesar da melhora no desempenho, o preço médio pedido dos imóveis A+ apresentou queda, passando de R$ 72,71/m² para R$ 58,32/m². Segundo a RealtyCorp, a redução está associada à velocidade de ocupação dos ativos na região e não representa perda de força do mercado. “Há um olhar cada vez mais atento para a Chácara Santo Antônio. Ela se tornou uma extensão natural da Chucri Zaidan, com infraestrutura moderna, serviços e transporte de qualidade”, avaliou Alves.

Novos projetos reforçam confiança dos investidores

O relatório também aponta a continuidade de projetos corporativos de grande porte. Entre eles está o Alto das Nações Torre Corporativa, com 100 mil m² de área locável e previsão de entrega para junho de 2026, construído no terreno que abrigou o primeiro Carrefour do Brasil. O empreendimento simboliza, segundo a consultoria, a visão de longo prazo dos investidores sobre o mercado corporativo da capital paulista.

Para Alves, os resultados do 3T25 demonstram que o setor alcançou novo estágio de maturidade. “Há uma leitura equivocada de que o mercado corporativo se move apenas por ciclos de euforia ou retração. O que estamos vendo é um setor que amadureceu, entende seus ritmos e responde de forma mais previsível às mudanças econômicas”, afirmou.

Estratégia passa a ser elemento central

Com aumento nos preços e menor disponibilidade de áreas, o cenário exige das empresas revisão de estratégias de ocupação e análise detalhada dos contratos de locação. A recomendação é que os gestores avaliem condições e prazos para garantir aderência aos valores praticados e preparar as operações para os próximos ciclos do mercado.

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