Novos modelos de crédito descentralizado ganham espaço e reduzem dependência dos grandes bancos

Estruturas próprias de financiamento oferecem alternativa mais ágil e barata, ampliando o acesso ao crédito para empresas de médio porte em meio a juros elevados e restrição bancária
Daniel Dan
Daniel Dan

O ambiente de crédito industrial no Brasil enfrenta, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), um dos períodos mais restritivos das últimas décadas. Entre 2012 e 2024, o volume de crédito destinado à indústria de transformação recuou 40%, reduzindo a participação do setor no total da economia de 27,2% para 13,7%. Nesse cenário, governos e empresas passaram a buscar instrumentos alternativos para viabilizar financiamento e manter projetos de expansão.

Governos estaduais têm recorrido a soluções descentralizadas de crédito para atenuar as dificuldades de acesso ao financiamento bancário. Entre essas alternativas estão os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), mecanismos que, conforme especialistas do setor, tendem a ser restritos a grandes empresas devido ao custo elevado e à complexidade. É nesse contexto que surgiu a Bankme, fintech paranaense que desenvolveu o “Mini Banco corporativo”, ferramenta criada para permitir que empresas estruturarem operações próprias de crédito.

De acordo com o CEO da Bankme, Thiago Eik, a solução foi projetada para simplificar o uso de instrumentos antes restritos a grandes corporações. “O FIDC é uma ferramenta poderosa, mas cara e complexa, inacessível para a maioria das indústrias de médio porte. Nós criamos uma estrutura enxuta que permite que empresas montem suas próprias operações de crédito, antecipem recebíveis, operem risco sacado e financiem seus clientes e fornecedores, sem depender dos bancos”, afirma.

Segundo informações da fintech, enquanto um FIDC tradicional pode levar de seis a nove meses para ser estruturado, o Mini Banco corporativo pode ser implementado em três dias úteis. O custo inicial, que em modelos convencionais parte de R$ 200 mil, fica em torno de R$ 25 mil, e a manutenção mensal, que pode chegar a R$ 60 mil, é reduzida para aproximadamente R$ 5 mil. Já o ponto de equilíbrio, antes atingido apenas por operações acima de R$ 15 milhões, pode ser alcançado a partir de R$ 300 mil.

A fintech informa também que a velocidade de retorno é outro diferencial, já que resultados podem ser observados a partir do primeiro mês de operação, enquanto estruturas tradicionais costumam apresentar retorno apenas após seis meses. O nível reduzido de burocracia tem estimulado empresas de médio porte a adotarem o modelo.

O interesse em alternativas de crédito também tem atraído governos estaduais. Em setembro de 2025, a Bankme participou de uma missão comercial ao Catar, apoiada pela Invest Paraná, com o objetivo de aproximar indústrias locais de novos mercados e fontes de financiamento. “O governo do Paraná entendeu que, para fortalecer o setor produtivo, é preciso viabilizar crédito de forma mais descentralizada. Nosso papel é atuar como parceiro estratégico para viabilizar investimento e crescimento, tanto para a indústria quanto para o estado”, relata Eik.

Para gestores públicos, a adoção de estruturas descentralizadas visa manter o ritmo de industrialização mesmo diante das dificuldades impostas pelos juros altos e pela menor oferta de crédito bancário. Ao permitir que empresas constituam suas próprias operações financeiras, os Mini Bancos se consolidam como mecanismos que impulsionam crédito produtivo local e reforçam a geração de emprego e renda.

A Bankme afirma estar presente em 23 estados brasileiros e já ter estruturado mais de 200 Mini Bancos, movimentando mais de R$ 1,5 bilhão em operações. Reconhecida em rankings como LinkedIn Top Startups 2025 e Negócios em Expansão, a fintech projeta faturamento de R$ 56 milhões em 2025 e planeja alcançar 1.000 Mini Bancos até 2027. “Nosso propósito é simplificar o acesso a instrumentos financeiros que antes estavam restritos às grandes corporações. Assim como o FIDC impulsionou o crescimento das gigantes, os Mini Bancos estão inaugurando uma nova fase para as médias indústrias brasileiras: mais autônomas, competitivas e financeiramente sustentáveis”, finaliza o CEO.

Leia também

Acompanhe tudo sobre

Últimas notícias

Cresce a procura por hotéis como alternativa à locação tradicional

Mudanças de cidade, tratamentos médicos e novas formas de trabalho fortalecem o movimento no país

Brasil encontra velhos conhecidos no Grupo C da Copa do Mundo

Seleção brasileira enfrentará Marrocos, Escócia e Haiti

Ouro delivery movimenta tíquete médio de R$ 39 mil no Brasil

Modelo de entrega de ouro físico cresce no país e amplia acesso ao metal com foco em logística, segurança e conveniência ao investidor