MBRF cresce em receita e volume, mas lucro cai 62% no 3T25

Companhia alcança receita líquida de R$ 41,8 bilhões e lucro de R$ 94 milhões no 3T2025, queda de 62% ante o 3T2024
Paulo Whitaker/REUTERS
Paulo Whitaker/REUTERS

A MBRF (MBRF3) divulgou nesta segunda-feira (10) os resultados financeiros do terceiro trimestre de 2025, primeiro balanço após a fusão entre as companhias. A empresa registrou receita líquida de R$ 41,8 bilhões, crescimento de 9,2% em relação ao 3T24, e o maior EBITDA do ano, de R$ 3,5 bilhões — avanço de 15,3% sobre o trimestre anterior. O lucro líquido somou R$ 94 milhões, queda de 62% na comparação com o terceiro trimestre de 2024 (3T24).

O volume de vendas atingiu alta de 3,7% frente ao mesmo período do ano anterior, representando o maior patamar histórico da companhia. Segundo a MBRF, a geração de caixa operacional foi de R$ 3,3 bilhões, incremento de 9% em comparação ao trimestre anterior, o que reforça a solidez financeira e a continuidade dos investimentos planejados.

De acordo com Marcos Molina, chairman da MBRF, o desempenho demonstra a consistência da estratégia traçada desde 2022. “Os resultados deste trimestre evidenciam a sólida trajetória da MBRF. Este foi um período marcado por avanços em desempenho, expansão da operação global e crescimento em todas as frentes do negócio”, afirmou.

O CEO Miguel Gularte destacou que a companhia segue com foco em eficiência e integração. “Estamos avançando com uma estratégia cada vez mais eficiente e simplificada, com foco na construção de uma companhia integrada, resiliente e cada vez mais rentável”, disse.

Desempenho por operação

Na América do Norte, a operação de bovinos, realizada por meio da National Beef, manteve desempenho estável, com receita de US$ 3,6 bilhões — alta de 12,2% em relação ao 3T24. Segundo a empresa, a queda no volume de abates foi compensada pelo aumento do peso médio das carcaças e pela gestão eficiente do ciclo pecuário.

Na América do Sul, a MBRF registrou receita de R$ 5,7 bilhões, avanço de 18,1% sobre o mesmo período do ano anterior, com aumento de 17,6% no volume de vendas. O resultado foi impulsionado pela ampliação da capacidade de abate e desossa e pela modernização de complexos industriais.

A operação da BRF também apresentou volume histórico de vendas, com crescimento de 5% ano a ano e receita de R$ 16,3 bilhões, aumento de 5,4%. No mercado interno, a ampliação dos canais de distribuição levou o atendimento a 340 mil pontos de venda. No mercado externo, a diversificação geográfica garantiu 16 novas habilitações para exportação, totalizando 214 desde 2022.

A reabertura das exportações de carne de frango para a China, anunciada em 7 de novembro, deverá impulsionar os resultados futuros. “A reabertura também traz um fator estratégico para a MBRF, a única empresa brasileira a manter uma fábrica de processados na China”, afirmou Gularte.

Expansão global e novos investimentos

A MBRF anunciou a criação da Sadia Halal, joint venture com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita (PIF). O novo empreendimento reunirá ativos avaliados em US$ 2,07 bilhões e será preparado para um futuro IPO na Bolsa de Riade.

Segundo Molina, a expansão reforça a presença estratégica no Oriente Médio. “Esta transação representa um passo importante na nossa trajetória, marcando o início do processo para um IPO em uma das mais importantes bolsas do mundo”, declarou.

A companhia também está ampliando a capacidade de produção na região. A fábrica em Kezad, nos Emirados Árabes, passará de 75 mil para 90 mil toneladas anuais com a instalação de uma nova linha de empanados. Além disso, está em construção uma nova planta de processados em Jeddah, na Arábia Saudita, com investimento de US$ 160 milhões e capacidade para até 57 mil toneladas por ano.

Eficiência e sinergias

O programa de eficiência operacional da BRF gerou R$ 355 milhões no trimestre. A metodologia está sendo expandida para toda a companhia por meio do programa MBRF+. No primeiro ano após a fusão, a empresa espera capturar 60% das sinergias mapeadas, estimadas em R$ 1 bilhão.

Entre as iniciativas previstas estão R$ 231 milhões em otimização das estruturas corporativas, R$ 470 milhões em supply chain, R$ 230 milhões em áreas comerciais e logísticas, além de R$ 73 milhões em outras ações.

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