A falência da Oi, decretada após duas tentativas frustradas de reestruturação, marca o encerramento de um dos casos mais emblemáticos do mercado de capitais brasileiro. A empresa, que chegou a ser uma das maiores companhias de telecomunicações do país, tornou-se símbolo de perda de valor e de confiança institucional. No dia do anúncio, as ações da operadora caíram 24,53%, refletindo a reação negativa dos investidores e o afastamento da diretoria.
Segundo Eduardo Silva, presidente do Instituto Empresa, o colapso da Oi resulta de uma sequência de decisões equivocadas que geraram um ciclo de expectativas frustradas e prejuízos bilionários. “As entrevistas otimistas dos gestores e as análises entusiasmadas do mercado criaram uma crença generalizada de que a Oi tinha data marcada para dar certo. Mas a realidade mostrou o contrário: a Justiça se precipitou ao permitir a saída da recuperação judicial em 2023 e, três meses depois, autorizou o retorno da empresa ao mesmo processo. É uma contradição que compromete a credibilidade do sistema”, afirmou.
De acordo com o Instituto, a Oi deixou a recuperação judicial em dezembro de 2023, após sete anos de processo. Entretanto, em fevereiro de 2024, voltou a pedir proteção judicial. Para Silva, o movimento evidencia falhas estruturais. “Ou a empresa tinha condições reais de sair do regime de recuperação, ou jamais deveria ter retornado tão rapidamente. Esse movimento inusitado expõe investidores a uma oscilação abrupta de cotações”, disse.
A entidade também destacou que, durante a última recuperação judicial, houve gastos excessivos que agravaram a fragilidade patrimonial da companhia.
Boa parte dos acionistas minoritários foi atraída para a Oi em um período de juros baixos e busca por alternativas de valorização na Bolsa de Valores. Muitos acreditavam que a empresa possuía um patrimônio sólido e ações judiciais capazes de fortalecer sua posição financeira — expectativas que não se concretizaram.
Para o Instituto Empresa, a falência da Oi deve servir de alerta para o sistema de governança e para o Judiciário brasileiro. A entidade defende maior rigor na fiscalização de planos de recuperação, mais transparência nos relatórios financeiros e responsabilização efetiva da administração.

