Especialista aponta 2026 como ano de reconfiguração dos escritórios no Brasil

Dados indicam avanço do trabalho híbrido, enquanto empresas revisam uso dos espaços físicos e buscam organização com apoio de ferramentas digitais
Stylish modern office desk with laptop, lamp, and indoor plant for productive work environment.
Pixabay
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O ano de 2026 deve marcar um processo de reconfiguração dos escritórios, impulsionado pelo avanço do trabalho híbrido e pela necessidade de reorganizar espaços, processos e comunicação interna. A avaliação é de Andréa Migliori, CEO da Workhub, ecossistema de intranet e experiência do trabalho, com base em dados nacionais e internacionais sobre o uso de ambientes corporativos.

De acordo com o relatório “The 2026 Workplace Statistics and Benchmarks”, da Ronspot, a taxa de ocupação de escritórios no mundo chegou a 54% em 2025, acima dos 49% registrados em 2024 e dos 41% observados em 2023. Nesse ritmo, o índice pode se aproximar do patamar pré-pandemia, de 61%, já no próximo ano. Segundo o levantamento, esse movimento não representa um retorno integral ao presencial, mas a consolidação do modelo híbrido.

Ainda conforme o estudo, 73% das equipes relatam aumento de produtividade no trabalho híbrido, enquanto 69% das empresas indicam melhora na retenção de profissionais. No entanto, parte das organizações ainda enfrenta dificuldades para estruturar os processos exigidos por esse modelo.

No Brasil, apenas 32% das empresas investem em soluções robustas de colaboração, segundo dados do TI Inside. Esse cenário indica que muitas companhias precisarão rever ferramentas e estratégias para acompanhar as mudanças previstas para 2026.

“Não estamos mais na fase de discutir a volta ou não aos escritórios, mas sim de dar sentido ao que tem sido decidido”, afirma Andréa Migliori, CEO da Workhub, ecossistema de intranet e experiência do trabalho. “Existem muitas maneiras de aplicar o híbrido. A flexibilidade pode ser baseada em dias da semana, em encontros pontuais, nos cargos de cada pessoa, em rotatividade de mesas, enfim, não faltam opções, mas pode faltar organização”.

Segundo a executiva, a comunicação interna ocupa papel central nesse processo. De acordo com ela, a ausência de políticas e estruturas adequadas tende a gerar perda de informações e impacto na produtividade, especialmente em ambientes com equipes distribuídas entre o presencial e o remoto.

“A intranet já foi vista por muitas gestões como um simples ‘mural de recados’. Na realidade, ela tem potencial para sustentar a cultura organizacional e evitar que a comunicação fique fraturada, mesmo com alta flexibilidade”, aponta Andréa.

Para analisar esse cenário, a Workhub realizou o primeiro Relatório de Uso de Intranets no Brasil. O estudo analisou mais de 11 milhões de interações de cerca de 160 mil usuários em 74 portais corporativos, entre abril e setembro de 2025. Entre os dados apurados, o levantamento mostra que 70% dos usuários utilizam a intranet de forma consistente, com 51% de engajamento digital e 43% de alcance de comunicação.

Na avaliação da especialista, o uso estruturado das intranets pode apoiar a integração entre equipes, lideranças e também contribuir para a organização do uso dos escritórios. “A consequência lógica do modelo híbrido é a revisão profunda dos escritórios. O próximo ano deve trazer menos estações individuais e mais espaços voltados à colaboração, troca e alinhamento estratégico. As empresas que operam com times distribuídos já perceberam que o escritório precisa funcionar como ponto de cultura e não como área de controle”, ressalta Migliori.

Ela também destaca que 2026 tende a ser um período de maior atenção à experiência integrada entre os ambientes físico e digital. Segundo Andréa, o uso de intranets permite reunir dados sobre padrões de interação, o que pode orientar decisões relacionadas a layout, presença e gestão dos espaços corporativos.

“O escritório que não considerar esses dados tende a virar um lugar vazio em dias aleatórios e cheio nos mesmos horários, sem coerência com a estratégia de negócio. É preciso considerar todas essas informações para fazer o modelo híbrido funcionar como deve: com produtividade e lógica”, conclui Andréa.

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