O patrimônio de Elon Musk ultrapassou novamente os US$ 500 bilhões (R$ 2,7 trilhões) nesta quarta-feira (29), segundo dados de mercado. O aumento está ligado à recente valorização das ações da Tesla, que subiram em meio ao otimismo com o diálogo entre Estados Unidos e China sobre medidas comerciais.
Os papéis da montadora norte-americana registraram alta de 2,2%, sendo cotados a cerca de US$ 462,50 (R$ 2.497,50) na tarde de terça-feira (29). No dia anterior, o avanço havia sido de 4,3%, e nesta quarta-feira (30) as ações mantiveram tendência positiva, com leve ganho de 0,22%, negociadas a US$ 77,15.
O movimento foi favorecido por declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou acreditar em um entendimento com o governo chinês antes do encontro com o presidente Xi Jinping. A sinalização reduziu o temor de novas tarifas, abrindo espaço para a recuperação dos mercados.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, reforçou essa percepção ao afirmar, no domingo (27), que as tarifas adicionais anunciadas por Trump estão “fora de questão” após uma reunião considerada positiva com representantes chineses. As declarações impulsionaram o humor dos investidores e levaram índices como Dow Jones e S&P 500 a fecharem em máximas históricas.
A China, que responde por mais de um quinto das vendas globais da Tesla, continua sendo um dos principais motores de crescimento da companhia. Em 2024, as entregas no país subiram 8,8%, somando mais de 657 mil veículos. Apesar disso, o balanço do terceiro trimestre mostrou lucro por ação de US$ 0,50 (R$ 2,70), abaixo da projeção de US$ 0,56 (R$ 3,02), embora as receitas tenham atingido US$ 28 bilhões (R$ 151,2 bilhões).
Especialistas atribuem parte desse desempenho ao fim de um incentivo fiscal para a compra de carros elétricos, medida que o próprio Musk havia antecipado como possível fator de desaceleração nas vendas futuras.
Com cerca de 12% das ações da Tesla, Musk segue como o indivíduo mais rico do planeta, com fortuna estimada em US$ 501,7 bilhões (R$ 2,7 trilhões). O empresário também se tornou o primeiro a atingir a marca de meio trilhão de dólares em patrimônio e pode ser o primeiro trilionário do mundo, caso seja aprovado um pacote de remuneração de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões) em votação entre os acionistas da empresa.
O plano, no entanto, enfrenta resistência de grupos como Glass Lewis e Institutional Shareholder Services, que orientaram votos contrários à proposta. Em resposta, a presidente do conselho da Tesla, Robyn Denholm, alertou em carta que “sem Elon, a Tesla pode perder valor significativo, pois nossa companhia talvez não continue sendo avaliada pelo que ainda pretendemos construir.”
A posição de Musk no topo do ranking global foi consolidada em maio de 2024, quando sua empresa de inteligência artificial, xAI, captou US$ 6 bilhões (R$ 32,4 bilhões) em uma rodada de investimentos que avaliou a companhia em US$ 18 bilhões (R$ 97,2 bilhões). A operação fez com que ele superasse Bernard Arnault, CEO do grupo LVMH, que havia recuperado temporariamente a liderança após a Justiça de Delaware anular um pacote de pagamento da Tesla no início do ano.
Atualmente, Musk mantém distância confortável dos demais bilionários. O executivo Larry Ellison, da Oracle, é quem mais se aproxima, com patrimônio de cerca de US$ 405 bilhões (R$ 2,18 trilhões), após valorização de 41% nas ações da empresa em setembro.