Crise do metanol impulsiona vinícola mineira, que cresce 15% em vendas em duas semanas

Após casos de intoxicação por metanol no Sudeste, vinícola registra aumento nas vendas e destaca segurança dos vinhos finos produzidos com uvas Vitis vinifera
Bárbara Eliodora
Bárbara Eliodora

A crise causada pela contaminação por metanol em bebidas artesanais e destiladas no Sudeste do país tem modificado o comportamento de consumo de bebidas alcoólicas. Nas últimas duas semanas, a vinícola mineira Bárbara Eliodora registrou crescimento de 15% nas vendas para consumidores pessoa física, segundo dados da própria empresa, em comparação ao mês anterior.

O aumento foi observado tanto no e-commerce oficial da marca quanto nas vendas realizadas por empórios e lojas especializadas. De acordo com a vinícola, o movimento reflete uma procura maior por produtos considerados seguros e de origem rastreável, produzidos sob rigorosos padrões de qualidade.

Segundo o proprietário da vinícola, Guilherme Bernardes, os vinhos passam por processos controlados e auditados desde a fermentação até o engarrafamento. “Nossos vinhos passam por intensos padrões internacionais de segurança desde o início da fermentação até o engarrafamento. O vinho tem álcool por meio natural, o açúcar da uva é consumido e se transforma em etanol etílico, o único em que nós humanos podemos beber”, afirmou.

Não há registro de casos de intoxicação por metanol relacionados ao consumo de vinhos, conforme informações do setor. A substância, segundo especialistas, está associada principalmente à fabricação irregular de destilados de origem duvidosa.

Dados do Ministério da Saúde indicam que seis pessoas morreram intoxicadas por metanol no estado de São Paulo desde o início do mês. O governo paulista, sob gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou reforço na fiscalização e ações de combate à falsificação de bebidas.

Localizada em São Gonçalo do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, a Bárbara Eliodora foi fundada em 2015 e é a primeira vinícola da região a cultivar uvas finas pela técnica da dupla poda, que permite colher no inverno e alcançar maturação plena das frutas. O nome da vinícola homenageia Bárbara Heliodora, poetisa e figura histórica da Inconfidência Mineira.

Bárbara Eliodora

A vinícola é dirigida pela enóloga Isabela Peregrino e adota práticas de produção de baixa intervenção e valorização do terroir local. Entre os reconhecimentos recentes, a Bárbara Eliodora conquistou quatro vinhos avaliados entre 92 e 94 pontos pela revista Wine Enthusiast em 2025, entre eles o Syrah Léger, o Syrah Clássico, o Gran Reserva François Frères e o Alvarenga — pontuação considerada histórica para vinhos brasileiros.

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