Israel e Hamas firmam primeira fase de acordo mediado pelos EUA prevendo libertação de reféns

Acordo anunciado por Donald Trump prevê cessar-fogo em Gaza, retirada parcial das tropas israelenses e libertação de reféns e prisioneiros como primeiros passos para um plano de paz mais amplo
Saher Alghorra/The New York Times
Saher Alghorra/The New York Times

Israel e o Hamas assinaram na quarta-feira (8) a primeira fase do acordo proposto pelos Estados Unidos para encerrar o conflito na Faixa de Gaza. O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano Donald Trump, que classificou a medida como um marco em direção à paz na região.

“Tenho muito orgulho de anunciar que Israel e o Hamas assinaram a primeira fase do nosso Plano de Paz”, declarou Trump na rede Truth Social. Segundo ele, o entendimento prevê a libertação de todos os reféns israelenses e a retirada das tropas de Israel para uma linha previamente acordada.

O Hamas confirmou nesta quinta-feira (9) ter aceitado a proposta mediada por Washington e afirmou que o acordo busca encerrar a guerra em Gaza. Em comunicado, o grupo pediu que Trump e os países garantidores assegurem o cumprimento do cessar-fogo por parte de Israel.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, informou que convocaria o governo nesta quinta-feira (9) para aprovar formalmente o acordo. “Um grande dia para Israel”, declarou o premiê após o anúncio de Trump. De acordo com o gabinete israelense, Netanyahu e o presidente norte-americano conversaram por telefone e classificaram a assinatura como uma “conquista histórica”.

O documento, que ainda será ratificado pelo governo israelense, deverá ser implementado nas próximas horas. Segundo o coordenador de reféns de Israel, Gal Hirsch, a lista de prisioneiros palestinos a serem libertados ainda está sendo definida.

Fontes próximas às negociações afirmaram que as tropas israelenses começarão a se retirar de partes de Gaza dentro de 24 horas após a ratificação do acordo. A libertação de todos os 20 reféns israelenses ainda vivos está prevista para ocorrer entre domingo (12) e segunda-feira (13), conforme uma autoridade israelense.

Apesar do anúncio, moradores de Gaza relataram novos ataques aéreos israelenses na Cidade de Gaza durante a madrugada de quinta-feira (9). O Ministério da Saúde local informou que pelo menos nove palestinos foram mortos nas últimas 24 horas.

Em meio à destruição, a notícia do cessar-fogo foi recebida com celebrações em várias regiões de Gaza e de Israel. “Graças a Deus pelo cessar-fogo, o fim do derramamento de sangue e das mortes”, afirmou Abdul Majeed Abd Rabbo, morador de Khan Younis.

Em Tel Aviv, famílias dos reféns se reuniram na chamada Praça dos Reféns para celebrar o anúncio. “Não consigo explicar o que estou sentindo… é uma loucura”, disse Einav Zaugauker, mãe de um dos israelenses ainda mantidos em cativeiro.

O acordo mediado por Washington representa o primeiro passo de uma estrutura mais ampla, composta por 20 pontos, apresentada pelo governo norte-americano. O plano busca estabelecer uma trégua duradoura e criar as bases para negociações políticas entre Israel e o Hamas.

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