Dois projetos brasileiros foram selecionados entre os 15 finalistas do Prêmio Earthshot 2025, considerado o maior reconhecimento ambiental do planeta. O anúncio foi feito neste sábado (4/10). A iniciativa, criada pelo príncipe William em 2020, busca premiar as ideias mais impactantes na restauração e preservação do meio ambiente global.
O Brasil concorre com o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e com a Re.green. O TFFF é um mecanismo financeiro proposto pelo governo brasileiro que busca recompensar países com florestas tropicais por resultados na preservação ambiental. Já a Re.green atua na restauração de áreas desmatadas em larga escala, combinando tecnologia de drones, inteligência artificial e genética de espécies nativas para gerar créditos de carbono e benefícios sociais.
Segundo o príncipe William, fundador do prêmio, “as ideias mais brilhantes podem vir de qualquer lugar e iniciar mudanças em todos os lugares”. Ele destacou ainda que as pessoas envolvidas nos projetos “são heróis da nossa época” e que o objetivo é apoiar essas iniciativas para “fazer o mundo mais limpo e seguro”.
O Prêmio Earthshot possui cinco categorias: proteger e restaurar a natureza, combater a crise climática, purificar o ar, revitalizar os oceanos e construir um mundo sem resíduos. Cada um dos cinco vencedores receberá um milhão de libras esterlinas (cerca de sete milhões de reais). A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 5 de novembro, no Rio de Janeiro, durante a Earthshot Week, que reunirá líderes globais, investidores e comunidades.
Descrito como a inovação financeira mais ambiciosa já proposta para florestas, o TFFF prevê a criação de um fundo global de US$ 125 bilhões, composto por investimentos públicos e privados. A proposta é garantir renda permanente a países tropicais em troca da preservação de florestas, podendo proteger mais de 1 bilhão de hectares em mais de 70 países. Ao menos 20% dos recursos devem ser destinados a povos indígenas e comunidades locais.
Durante evento na ONU, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o investimento inicial de US$ 1 bilhão no fundo, tornando o Brasil o primeiro país a se comprometer com recursos para a iniciativa. “O TFFF não é caridade. É um investimento na humanidade e no planeta, contra a ameaça de devastação pelo caos climático”, afirmou o presidente.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que “precisamos estabelecer uma nova relação com as florestas tropicais e mudar significativamente a forma como elas são valorizadas”. Segundo ela, ser finalista do Earthshot é um reconhecimento ao esforço multilateral liderado pelo Brasil e uma oportunidade de atrair novos investimentos e ampliar a conscientização global sobre a importância das florestas.
Jason Knauf, CEO do Earthshot Prize, destacou que o TFFF “oferece uma chance única em uma geração de virar o jogo, tornando as florestas vivas mais valiosas do que as mortas”.
O diretor do Earthshot Prize no Brasil, Felipe Villela, explicou que um dos pilares do prêmio é “criar uma narrativa que inspire as pessoas a fazerem parte desse movimento”, ressaltando que a combinação de “urgência climática com otimismo traz ação”.
Os vencedores serão escolhidos pelo príncipe William e pelo Conselho do Prêmio Earthshot, composto por líderes globais, cientistas, empresários e representantes da sociedade civil, incluindo nomes como a Rainha Rania Al Abdullah, Cate Blanchett e Christiana Figueres, arquiteta do Acordo de Paris.
O TFFF foi desenvolvido em parceria com países florestais e financiadores, entre eles Colômbia, Indonésia, Noruega, Alemanha e França, além de organizações da sociedade civil e representantes de povos indígenas. Diferente de mecanismos baseados em doações, o fundo aposta em investimentos de longo prazo, com rendimentos direcionados a países que mantenham baixas taxas de desmatamento.
Com os dois projetos entre os finalistas, o Brasil reforça sua presença na agenda climática global e consolida sua atuação como um dos principais agentes na busca por soluções sustentáveis para o planeta.