O mercado financeiro acompanha com atenção esta quarta-feira (28), marcada pela chamada Super Quarta, quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas decisões de política monetária. No câmbio, o dólar opera em queda, enquanto o ouro registra novo recorde histórico, refletindo o ambiente de cautela global.
O dólar apresenta recuo e é cotado a R$ 5,20, mantendo o menor nível desde fevereiro de 2022. O movimento ocorre em meio à expectativa de manutenção das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, o que direciona fluxos para ativos de risco, segundo avaliação do mercado.
De acordo com Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, o comportamento da moeda acompanha o apetite dos investidores, apoiado por sinais de estabilidade fiscal doméstica e pela perspectiva de que o Comitê de Política Monetária mantenha a Selic em 15% ao ano na decisão desta quarta-feira (28).
No cenário externo, a expectativa predominante é de que o Federal Reserve mantenha a taxa básica americana, atualmente na faixa entre 3,5% e 3,75%. Conforme analistas, a leitura é de que o ciclo de cortes iniciado em 2025 foi suficiente para sustentar a atividade econômica sem pressionar a inflação.
O fluxo cambial segue misto ao longo da sessão. Entradas de recursos ligadas a exportadores e investidores estrangeiros na bolsa contrastam com saídas pontuais de importadores e remessas corporativas. Paralelamente, o Ibovespa opera em alta, acima dos 182 mil pontos, reforçando a valorização dos ativos locais.
Na agenda doméstica, os investidores acompanham a divulgação da Sondagem da Indústria de janeiro, da Fundação Getulio Vargas, além do fluxo cambial semanal do Banco Central. A decisão do Copom está prevista para o fim do dia. No exterior, além do Fed, o mercado monitora dados de confiança do consumidor nos Estados Unidos e pronunciamentos do Banco Central Europeu.
Enquanto o câmbio reage às expectativas de juros, o ouro registra forte valorização. O metal abriu o dia cotado a US$ 5.201,30 por onça troy, o equivalente a cerca de R$ 26.967, com alta de 2,34% em relação ao fechamento anterior. O movimento levou o ativo a um novo recorde histórico.
Segundo Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, a alta do ouro reflete a busca por proteção diante das tensões geopolíticas e da volatilidade associada às decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. O fluxo de capitais indica aumento da demanda por contratos futuros e pela compra física do metal.
No cenário internacional, fatores como incertezas políticas, dados econômicos nos Estados Unidos e discursos de autoridades monetárias europeias reforçam o interesse pelo ouro. Analistas avaliam que, mesmo com a manutenção dos juros, o metal tende a permanecer valorizado enquanto persistir a percepção de risco global.
Com dólar em queda e ouro em patamar recorde, o mercado atravessa a Super Quarta com atenção redobrada. As decisões dos bancos centrais devem orientar o comportamento dos ativos ao longo do restante da sessão e nos próximos dias.