O Ibovespa fechou esta sexta-feira (24) em leve alta, sustentado por dados de inflação abaixo do esperado tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, mas limitado pela fraqueza de ações de peso, como Petrobras (PETR4). O índice subiu 0,31%, aos 146.172,21 pontos, após marcar 147.239,76 na máxima e 145.720,98 na mínima. O giro financeiro foi de R$ 14,56 bilhões.
Com isso, o Ibovespa acumulou alta de 1,93% na semana, repetindo o desempenho da semana anterior e praticamente zerando as perdas do mês — outubro mostra agora variação negativa de apenas 0,04%. O Ibovespa Futuro, por sua vez, rompeu a marca simbólica dos 150 mil pontos pela primeira vez.
O dólar comercial terminou praticamente estável, com leve alta de 0,11%, cotado a R$ 5,392, enquanto os juros futuros (DIs) voltaram a cair por toda a curva, embora sigam acima de 13%.
Inflação abaixo do esperado no Brasil e nos EUA dá fôlego aos mercados
Por aqui, o IPCA-15 de outubro subiu 0,18%, desacelerando em relação a setembro (0,48%) e abaixo da mediana das projeções (+0,25%), conforme o IBGE. Em 12 meses, a taxa ficou em 4,94%, também menor que os 5,01% esperados.
Nos Estados Unidos, o CPI de setembro — divulgado com atraso por conta da paralisação parcial do governo — também veio mais fraco, reforçando a percepção de que o Federal Reserve pode manter os juros estáveis por mais tempo.
Geopolítica e tensões comerciais seguem no radar
Lá fora, a política internacional voltou a roubar a cena. O presidente Donald Trump irritou o Canadá ao autorizar um comercial de TV com imagens e voz de Ronald Reagan, reacendendo tensões bilaterais. Na Europa, União Europeia e China iniciaram negociações em Bruxelas sobre o comércio de terras raras, tema que também desperta atenção de Washington.
O encontro de Trump com Lula, previsto para domingo (26) na Malásia, segue cercado de expectativas. O presidente brasileiro afirmou que “não há assunto proibido” na conversa, enquanto Trump deve usar o giro asiático para reforçar posições de política comercial.
Cenário fiscal e declarações de Haddad
No campo doméstico, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo “repudia o calote dos precatórios” dado pela gestão anterior, e que “prefere ser visto como quem gastou demais do que como um caloteiro”. A fala reforçou a intenção do Executivo de manter a credibilidade fiscal e acelerar o pagamento de passivos judiciais.
Destaques corporativos: Petrobras recua, Casas Bahia segue em alta e Copasa dispara
Entre as ações, Petrobras (PETR4) caiu 1,16%, à espera da divulgação de sua produção do 3T25, após o fechamento. A leve correção do petróleo no mercado internacional, depois do salto de mais de 5% na véspera, também pesou.
Vale (VALE3) recuou 0,05%, enquanto CSN (CSNA3) cedeu 1,48% e Gerdau (GGBR4) avançou 0,11%, refletindo revisões de analistas para o setor siderúrgico.
A Usiminas (USIM5) caiu 0,60% após divulgar prejuízo no 3T25, mas a empresa afirmou que avalia pagar dividendos ainda este ano e reduzir custos no quarto trimestre.
Entre os bancos, o desempenho foi misto: Bradesco (BBDC4) subiu 0,56%, Santander (SANB11) teve leve alta, Itaú (ITUB4) ficou estável e Banco do Brasil (BBAS3) recuou 0,63%.
No lado positivo, Copasa (CSMG3) subiu 3,30%, ainda impulsionada pelas discussões em torno da privatização da companhia. Já Azul (AZUL4) ganhou 0,88%, após atualizar seu plano de negócios dentro do processo de recuperação judicial (Chapter 11), reforçando a expectativa de reestruturação bem-sucedida.
Próxima semana: dados de emprego e maratona de balanços
A próxima semana promete ser movimentada, com a divulgação dos dados de emprego (Caged e PNAD Contínua) e uma bateria de balanços corporativos relevantes.
Na quarta (29), saem os resultados de Bradesco e Santander; na quinta (30), é a vez de Ambev, Marcopolo, Gerdau, Vale e Telefônica/Vivo.
Além disso, o mercado acompanhará de perto os desdobramentos da reunião entre Trump, Xi Jinping e Lula, que pode redefinir o tom das relações comerciais globais nas próximas semanas.