O Ibovespa até tentou encontrar direção, mas acabou encerrando o dia praticamente estável nesta terça-feira (14), em meio à cautela global com a nova escalada de tensões comerciais entre Estados Unidos e China. O índice recuou 0,07%, aos 141.682,99 pontos, depois de oscilar entre 141.334,32 na mínima e 142.588,97 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 19,5 bilhões.
No exterior, o mercado voltou a demonstrar nervosismo depois que Washington e Pequim anunciaram novas taxas portuárias para empresas de transporte marítimo. No fim da tarde, o presidente americano, Donald Trump, reacendeu o clima de incerteza ao ameaçar romper laços comerciais com a China.
Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,16%, com investidores atentos à temporada de balanços de grandes bancos, enquanto tentam mensurar o impacto da guerra comercial nos lucros corporativos. “O mercado está tentando entender como os efeitos dessa disputa pesaram no balanço das empresas”, comentou Willian Queiroz, sócio da Blue3 Investimentos.
No Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou no Senado que o governo começará nesta quarta-feira a trabalhar em alternativas para compensar o impacto fiscal da queda da Medida Provisória 1.303, que previa ajustes tributários para reforçar a arrecadação. O tema fiscal segue como pano de fundo do mercado, que ainda ajusta posições após o tombo de outubro.
Embraer voa alto, Petrobras e bancos limitam ganhos
Entre os destaques do pregão, Embraer (EMBR3) foi o grande nome do dia, subindo 4,89% após anunciar um novo pedido firme de 20 jatos E195-E2 feito pela companhia de leasing TrueNoord, em negócio avaliado em US$ 1,8 bilhão. O acordo ainda prevê opção para até 30 aeronaves adicionais. A Moody’s elevou a perspectiva de crédito da fabricante para “positiva”, citando melhora na liquidez e nos resultados operacionais.
Na outra ponta, BTG Pactual (BPAC11) caiu 1,92% após anunciar a incorporação das ações do Banco Pan (BPAN4), no qual já detém 76,9%. A operação, feita via troca de ações, implica prêmio superior a 30% sobre o preço do Pan na véspera, levando os papéis do banco digital a dispararem 26,49%.
Entre as gigantes, Petrobras (PETR4) recuou 0,69% e Petrobras ON (PETR3) caiu 0,06%, acompanhando a fraqueza dos preços internacionais do petróleo. O setor de energia também sentiu o impacto, com PRIO (PRIO3) em baixa de 2,7% e PetroReconcavo (RECV3) cedendo 1,23%. No noticiário, o Ibama pediu mais informações à estatal sobre o licenciamento para perfuração de um poço na Foz do Amazonas — decisão que, segundo a CEO da empresa, pegou a Petrobras “de surpresa”.
O setor financeiro teve desempenho misto: Bradesco (BBDC4) subiu 1,42% após o Goldman Sachs revisar a recomendação das ações para “neutra”, enquanto Santander (SANB11) caiu 1,05% com rebaixamento para “venda”. Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,43%, e Banco do Brasil (BBAS3) recuou 0,86%.
Educação e consumo ainda em correção
No setor educacional, Cogna (COGN3) caiu 3,97%, ampliando a correção acumulada em outubro para cerca de 13%, após forte valorização em setembro. A suspensão, pelo Ministério da Educação, de prazos do edital para novos cursos de medicina segue no radar. Yduqs (YDUQ3) também recuou, com perda de 0,43%.
Entre os frigoríficos, Minerva (BEEF3) avançou 2,48%, apoiada em relatório do Itaú BBA que manteve recomendação “outperform” e elevou o preço-alvo das ações. No mesmo setor, MBRF (MBRF3) caiu 3,71%, renovando mínimas desde março.
Já Vale (VALE3) fechou estável, acompanhando o recuo de 2% dos futuros de minério de ferro em Dalian, na China.
Expectativa fiscal e cautela internacional
Apesar da leve queda, o sentimento foi de alívio após a volatilidade dos últimos dias. A pesquisa do Bank of America mostrou que 54% dos gestores ainda acreditam no Ibovespa acima de 160 mil pontos até o fim de 2026, enquanto 17% projetam o índice além dos 180 mil.
Por ora, a Bolsa parece apenas tomando fôlego — ainda de olho nas falas do Federal Reserve e nas próximas movimentações do governo brasileiro sobre o ajuste fiscal.