Ibovespa despenca 1,57% com temor fiscal e clima político — pior dia desde agosto

Proposta de tarifa zero no transporte e fala de Haddad sobre juros pesam; cenário externo adiciona nuvens
Germano Lüders
Germano Lüders

O Ibovespa teve uma terça-feira de fortes ventos contrários, caindo 1,57%, aos 141.356,43 pontos, uma perda de 2.251,65 pontos — o pior desempenho desde 19 de agosto, quando recuou 2,10%. É também o fechamento mais baixo desde 4 de setembro (140.993,25 pontos).

O índice de small caps (SMLL) acompanhou a maré e despencou 2,35%, aos 2.141,72 pontos, sinalizando queda generalizada.

O dólar comercial subiu 0,75%, a R$ 5,351, enquanto os juros futuros (DIs) avançaram em toda a curva. Três sinais claros de que o tempo fechou no mercado local.

Tarifa zero e temor fiscal

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a mexer com o humor dos investidores ao dizer que a tarifa zero no transporte público deve integrar a campanha de reeleição de Lula em 2026.

A proposta, vista como potencialmente inflacionária e fiscalmente arriscada, gerou apreensão — estimativas apontam custo de até R$ 100 bilhões por ano, em um cenário de contas públicas já pressionadas. O governo não apresentou prazos nem diretrizes claras para o projeto, mas a simples ideia já bastou para gelar os ânimos.

Haddad também classificou a Selic como “excessivamente restritiva”, em tom que tenta evitar atrito direto com o Banco Central, mas que reforça a tensão entre equipe econômica e política monetária.

A aversão ao risco também veio de fora

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve de Nova York informou que consumidores estão mais pessimistas sobre emprego e inflação — prevendo mais desemprego e maior chance de perda de postos de trabalho nos próximos 12 meses.

Com a paralisação do governo americano chegando à segunda semana e sem dados oficiais de payroll, os principais índices de Wall Street caíram em bloco, puxando o humor global para baixo.

Na Europa, o cenário político francês continua turbulento, embora as perdas tenham sido mais contidas.

Poucos papéis escaparam da enxurrada. Apenas oito ações do índice fecharam em alta, entre elas:

  • Petrobras (PETR4): +0,36%, beneficiada pela leve estabilidade do petróleo;
  • Minerva (BEEF3): +1,21%;
  • WEG (WEGE3): +0,14%.

Do outro lado, as perdas foram pesadas:

  • Vale (VALE3): -1,41%;
  • MRV (MRVE3): -12,12%, após prévia operacional decepcionante;
  • Itaú (ITUB4): -1,59%;
  • Banco do Brasil (BBAS3): -0,93%;
  • Lojas Renner (LREN3): -5,70%;
  • Azzas 2154 (AZZA3): -5,69%.

O GPA (PCAR3) chegou a oscilar positivamente, mas fechou em queda de 1,02%, após mudanças no Conselho.

A quarta-feira (8) trará a ata da última reunião do Federal Reserve, que pode indicar o tom da próxima decisão sobre juros em outubro. Já no Brasil, os investidores seguem atentos à trajetória fiscal e à inflação, em busca de algum sinal de bonança no horizonte — por enquanto, o clima segue nublado.

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