Ibovespa cai 0,13% em sessão marcada por tensão política e juros em alta

Declaração de Flávio Bolsonaro sobre candidatura “irreversível” amplia prêmio de risco e pressiona câmbio, juros e bancos
B3
B3

O Ibovespa encerrou a terça-feira em leve baixa, recuando 0,13% e fechando aos 157.981,13 pontos, uma queda de 206,30 pontos. A sessão foi contida, mas carregada de volatilidade, já que o humor do mercado local voltou a ser diretamente impactado pelo cenário político.

O dólar comercial subiu 0,26%, a R$ 5,435, enquanto os juros futuros avançaram por toda a curva, em um dia que voltou a registrar interrupções momentâneas nas negociações diante da intensidade dos movimentos.

Tensão política renova o mau humor do mercado

O estopim da instabilidade veio do próprio eixo político: Flávio Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que sua pré-candidatura à Presidência da República é “irreversível”. O senador reforçou que “não vamos voltar atrás”, reacendendo os temores de investidores sobre uma corrida eleitoral mais polarizada.

A fala foi um contraponto direto ao recuo sinalizado no fim de semana, quando ele havia dito que existia “um preço” para desistir da candidatura — a anistia de Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. A Câmara até acenou com o PL da Dosimetria, que pode reduzir o tempo de prisão do ex-presidente, mas não avançou para além disso, mantendo o tema no campo das incertezas.

Juros no radar global: Fed deve cortar 0,25 ponto

No exterior, a atenção seguia voltada para a decisão do Federal Reserve, marcada para esta quarta-feira. Um assessor da Casa Branca afirmou que há “bastante espaço” para reduzir juros, reforçando a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual. Ainda assim, investidores aguardam ansiosamente as projeções atualizadas dos dirigentes e, sobretudo, o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed, que caminha para o final de seu mandato em maio.

Blue chips oscilam, mas bancos pesam no índice

A volatilidade se refletiu nas principais ações da bolsa. A Vale (VALE3) chegou a registrar alta mais expressiva ao longo do dia, mas fechou praticamente estável, com ganhos de apenas 0,06%. A Petrobras (PETR4), que virou diversas vezes e enfrentou nova queda do petróleo internacional, terminou com alta de 0,63%.

O setor bancário, porém, foi determinante para o fechamento negativo do índice: Banco do Brasil (BBAS3) passou por breve recuperação no meio da tarde, mas recuou 0,51% no fechamento. Bradesco (BBDC4) caiu 1,32%, Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 0,22% e Santander (SANB11) recuou 2,13%. A fraqueza setorial segurou o Ibovespa abaixo do zero.

Destaques corporativos

Algumas ações contrariaram o clima de cautela. PRIO (PRIO3) avançou 1,14%, com analistas antecipando o anúncio de dividendos. Axia Energia (AXIA3) subiu 1,52% após divulgar bonificação de ações.

O maior destaque positivo do pregão foi a Embraer (EMBJ3), que saltou 3,00% depois que sua subsidiária, Eve Air Mobility, garantiu financiamento do BNDES, reforçando a confiança do mercado na expansão do projeto de aeronaves elétricas.

Leia também

Acompanhe tudo sobre

Últimas notícias

Dólar cai para R$ 5,07, menor nível em um mês; bolsa fica estável

Alta do petróleo valoriza moeda brasileira e ações da Petrobras

Dólar cai para R$ 5,08, e bolsa recua pela quarta vez consecutiva

Juros altos e valorização do petróleo favorecem o real

Inclusão de pessoas com TEA na tecnologia amplia oportunidades no mercado de trabalho

Especialista aponta que iniciativas de inclusão, qualificação e conscientização nas empresas contribuem para ampliar a participação de profissionais com TEA no setor de tecnologia.