Ibovespa despenca 4,31% após choque político e fecha a semana no vermelho

Mercado reage ao anúncio da candidatura de Flavio Bolsonaro; dólar dispara, juros saltam e ações derretem em movimento de aversão ao risco
Arturo Añez
Arturo Añez

O Ibovespa viveu um dos pregões mais voláteis e dramáticos da década. Pela manhã, o índice alcançou algo inédito: atingiu 165.035,97 pontos, o maior patamar de todos os tempos. Mas o que começou como um novo capítulo da semana de recordes virou um colapso poucas horas depois.

O índice derreteu 4,31% no fechamento, aos 157.369,36 pontos, acumulando mais de 7 mil pontos de queda desde a abertura. Foi a maior baixa em uma única sessão desde 22 de fevereiro de 2021, ainda em plena pandemia. Com o tombo de hoje, a semana que vinha sendo histórica acabou encerrada no negativo, com perda de 1,07%.

Choque político: anúncio de Flavio Bolsonaro desencadeia a virada

A reviravolta ocorreu no início da tarde, quando a notícia de que Jair Bolsonaro decidiu lançar seu filho, o senador Flavio Bolsonaro, como candidato da família à Presidência em 2026, chegou ao mercado. O movimento foi interpretado como uma mudança brusca no tabuleiro eleitoral, reacendendo temores de polarização extrema e instabilidade nos meses que antecedem o ciclo eleitoral.

A partir daí, instalou-se o “modo pânico”. Aversão ao risco explodiu, ordens de venda se multiplicaram e praticamente nenhum ativo de grande peso escapou.

Dólar dispara e juros futuros disparam até serem interrompidos

O choque se estendeu imediatamente ao câmbio e à renda fixa. O dólar comercial saltou 2,31%, a R$ 5,433, em um dos maiores movimentos diários do ano, refletindo fuga de capital e proteção de carteiras. Os juros futuros acompanharam a turbulência e subiram com força por toda a curva, chegando a ser suspensos por volatilidade excessiva.

Manhã positiva vira fumaça após dados benignos e exterior construtivo

Antes da reviravolta política, os ingredientes para mais um pregão positivo estavam todos postos. A inflação ao produtor no Brasil recuou pela nona vez consecutiva em outubro. Nos EUA, o PCE — índice de inflação preferido do Federal Reserve — veio dentro do esperado. Wall Street terminou o dia no azul, ainda que sem grande amplitude, e a Europa também reagia bem.

No campo doméstico, a aprovação da LDO trouxe algum alívio, ainda que com pendências fiscais importantes. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, inclusive fez gestos públicos de aproximação ao governo Lula.

Nada disso, porém, resistiu ao impacto da notícia política.

Blue chips em queda livre: Vale e Petrobras recuam forte

O movimento de defesa atingiu todos os setores. Entre as gigantes, Vale (VALE3) caiu 2,36%, enquanto Petrobras (PETR4) recuou 3,54%. Axia Energia (AXIA3) foi ainda mais atingida, com queda de 5,33%.

Bancos desabam e amplificam o tombo do índice

O setor financeiro teve uma das piores sessões dos últimos anos. Banco do Brasil (BBAS3) despencou 7,07%, Bradesco (BBDC4) caiu 5,97%, Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 4,62% e Santander (SANB11) perdeu 4,41%. O movimento refletiu o temor de deterioração do ambiente político e impactos potenciais sobre risco-país e atividade.

Varejo sofre: Magazine Luiza e Renner desabam

Setores mais sensíveis ao humor do investidor foram ainda mais castigados. Magazine Luiza (MGLU3) tombou 9,79%, enquanto Lojas Renner (LREN3) recuou 7,71%, refletindo uma combinação de estresse financeiro, fuga de risco e receio de impacto no consumo.

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