O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (31) com alta de 0,51%, aos 149.540,43 pontos, avanço de 760,21 pontos, no maior nível de fechamento da história. Durante a sessão, o índice chegou à máxima inédita de 149.635,90 pontos, superando o recorde anterior, alcançado na véspera.
No mês de outubro, o avanço foi de 2,26%, o terceiro consecutivo, e o oitavo mês de valorização em 2025. No acumulado do ano, o Ibovespa já sobe 24,32%.
O dólar comercial fechou praticamente estável, em queda de 0,01%, a R$ 5,380, enquanto os juros futuros (DIs) recuaram em toda a curva.
Bolsas dos EUA sobem com Amazon e Apple; Europa recua
Em Nova York, os principais índices encerraram em alta, impulsionados pelos balanços positivos da Amazon e da Apple, que sustentaram o apetite por risco no setor de tecnologia. O S&P 500 e o Nasdaq avançaram de forma consistente, enquanto o Dow Jones teve ganhos moderados.
Na Europa, o movimento foi oposto: os índices recuaram após resultados corporativos mistos e indicadores macroeconômicos que reforçaram a cautela. O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juros inalteradas e o PIB do bloco cresceu 0,2% no 3º trimestre, levemente acima das expectativas.
Cenário externo: tensões entre EUA e China e shutdown prolongado
O ambiente internacional segue marcado por incertezas geopolíticas. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que a China cometeu um “erro estratégico” ao ameaçar restringir exportações de terras raras, insumos essenciais para o setor de tecnologia.
Enquanto isso, o shutdown do governo americano completou 31 dias, mantendo suspensa a divulgação de indicadores econômicos relevantes, como o PCE, índice de inflação preferido do Federal Reserve. A ausência desses dados aumenta a incerteza sobre os próximos passos da política monetária nos EUA.
Economia brasileira: desemprego segue em mínima histórica, mas dívida cresce
No Brasil, os dados econômicos mostraram avanço do mercado de trabalho, mas deterioração fiscal. A taxa de desemprego ficou em 5,6% no trimestre até setembro, permanecendo na mínima histórica.
Por outro lado, a dívida pública bruta subiu para 78,1% do PIB, ante 77,5% em agosto. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 33,2 bilhões em 12 meses até setembro.
O quadro reforça o desafio do ajuste fiscal às vésperas da próxima reunião do Copom, marcada para quarta-feira (5).
Vale lidera ganhos; Petrobras e telecoms recuam
Entre as ações, o destaque positivo foi Vale (VALE3), que subiu 2,27% após divulgar balanço trimestral considerado sólido e sinalizar possível pagamento de dividendos extraordinários.
Gerdau (GGBR4) também se recuperou ao longo do pregão e fechou com alta de 1,18%.
Na ponta negativa, Marcopolo (POMO4) caiu 10,54% após resultados abaixo das expectativas, e Vivo (VIVT3) recuou 5,99%, com preocupação sobre a receita do segmento móvel. Petrobras (PETR4) teve queda de 0,47%, após anunciar redução no preço do gás natural para distribuidoras.
Os bancos tiveram desempenho misto:
- Banco do Brasil (BBAS3): +1,25%
- Santander (SANB11): +1,73%
- Itaú Unibanco (ITUB4): +0,38%
- Bradesco (BBDC4): +0,33%, após recuperação ao longo do dia.
Novembro começa com ajustes e expectativa por decisões de política monetária
A partir de segunda-feira (3), a Embraer (EMBR3) passa a negociar sob o ticker EMBJ3, adotando o mesmo código na B3 e na Bolsa de Nova York. Com o fim do horário de verão nos Estados Unidos, os horários de negociação em Wall Street e em São Paulo também serão ajustados.
Os investidores entram em novembro com foco redobrado nas decisões de bancos centrais — o Copom, no Brasil, e o Federal Reserve, nos EUA — que devem definir o ritmo das próximas semanas nos mercados.