Ibovespa renova recorde histórico e fecha acima de 161,7 mil pontos

Índice renova máxima histórica em meio ao alívio vindo dos EUA, apesar da pressão dos bancos e da alta dos juros futuros
Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

O Ibovespa voltou a subir nesta quarta-feira e cravou um novo recorde histórico. O índice bateu 161.963,49 pontos na máxima do dia e encerrou a sessão com alta de 0,41%, aos 161.755,18 pontos, somando 660,97 pontos de ganho — o maior patamar de fechamento da Bolsa brasileira em todos os tempos.

No câmbio, o dólar comercial recuou 0,33%, a R$ 5,313, enquanto os juros futuros avançaram ao longo de toda a curva, refletindo ajustes às expectativas para a semana que vem, que será marcada pela última “Super Quarta” do ano.

Dados sociais fortalecem discurso do governo

Enquanto o mercado financeiro segue demonstrando preferência por uma guinada na política econômica a partir das eleições do próximo ano, o governo Lula chega ao fim de 2024 com números relevantes para apresentar. Segundo o IBGE, 8,6 milhões de brasileiros deixaram a pobreza em um ano, e 1,9 milhão saiu da extrema pobreza, ao mesmo tempo em que o nível de ocupação entre idosos atingiu recorde histórico, sinalizando um mercado de trabalho mais aquecido.

Para o presidente Lula, o estímulo ao consumo doméstico e à expansão da renda segue sendo a principal estratégia para sustentar a atividade econômica no País.

Dados dos EUA reforçam apostas em corte de juros

No exterior, o ambiente também contribuiu para o bom humor na B3. Wall Street teve mais um dia positivo à medida que um relatório de emprego mais fraco do que o previsto renovou as apostas em um possível corte de juros pelo Federal Reserve na reunião da próxima semana.

A normalização da divulgação de indicadores após o fim da paralisação do governo norte-americano também tem permitido ao mercado ajustar melhor suas projeções. Nesta quarta, vieram números importantes: produção industrial dentro do esperado, com alta, e preços de importados estáveis, contrariando previsões de pressão inflacionária.
Na Europa, a persistência da guerra na Ucrânia e dados econômicos divergentes resultaram em um fechamento misto nas principais bolsas.

Vale, petróleo forte e bancos pressionando o índice

Entre as grandes ações do Ibovespa, o destaque absoluto do dia foi a Vale (VALE3), que saltou 3,23%, mesmo com o minério de ferro em queda na Ásia — resultado de movimentos técnicos e reposicionamento de investidores diante da perspectiva de retomada da demanda chinesa no médio prazo.

A Petrobras (PETR4) também contribuiu para sustentar o índice, avançando 0,75% em sintonia com o petróleo internacional. Já a PRIO (PRIO3) jorrou ganhos robustos, com alta de 4,66%, após anunciar produção mensal recorde.

O contraponto veio do setor financeiro, que impediu o Ibovespa de romper os 162 mil pontos. Bradesco (BBDC4) tombou 2,76%, Santander (SANB11) recuou 1,29% e BB (BBAS3) caiu 0,63%, em um dia marcado por um grande volume de desembolsos em financiamentos para o agronegócio. O Itaú Unibanco (ITUB4) foi exceção relativa, oscilando durante toda a tarde até encerrar estável, no zero a zero.

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