O Ibovespa viveu um pregão histórico nesta quarta-feira (29), repleto de emoções e marcos inéditos. Pela primeira vez na história, o índice rompeu os 148 mil pontos e, logo depois, bateu também os 149 mil pontos, alcançando a máxima intradiária recorde de 149.067,16 pontos.
Ao fim do dia, a bolsa brasileira fechou em alta de 0,82%, aos 148.632,93 pontos, o maior fechamento da história, superando a marca de ontem (147.428,90 pontos). Foi, portanto, a sexta alta consecutiva e o primeiro fechamento acima dos 148 mil pontos, consolidando outubro como um mês de virada para o mercado local.
O dólar comercial oscilou bastante: chegou a perder força, virou para alta, mas terminou praticamente estável, em queda de 0,03%, a R$ 5,358.
Os juros futuros (DIs), que vinham recuando, inverteram o sinal e fecharam em alta por toda a curva, em sintonia com o movimento global após a fala de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve.
Powell corta juros, mas adota tom cauteloso
A virada de humor dos mercados — e a desaceleração da alta do Ibovespa — teve nome e sobrenome: Jerome Powell.
O Fed anunciou, como esperado, corte de 0,25 ponto percentual nos juros básicos dos EUA, mas o discurso posterior esfriou as expectativas.
Powell não garantiu novos cortes ainda em 2025 e indicou divisões dentro do comitê.
“Algumas pessoas no Fomc acreditam que chegou o momento de darmos um passo atrás”, disse o presidente do Fed.
A decisão não foi unânime e trouxe à tona a possibilidade de pausa no ciclo de afrouxamento monetário.
A reação foi imediata: Dow Jones e S&P 500 inverteram para o vermelho, enquanto o Nasdaq se segurou em alta, sustentado pela expectativa de bons resultados das big techs — Microsoft, Apple, Alphabet, Meta e Amazon — que divulgam balanços entre hoje e amanhã.
Na Europa, os mercados ficaram praticamente estáveis, refletindo cautela após o discurso de Powell. A resposta mais consistente deve vir apenas na sessão desta quinta-feira.
Trump e Xi no radar global
No front geopolítico, a expectativa se volta para o aguardado encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, marcado para amanhã, na Coreia do Sul.
A possibilidade de uma trégua comercial entre EUA e China reacendeu o otimismo global e ajudou a sustentar os índices, mesmo após a fala do Fed.
“Os olhos precisam se dirigir para onde as coisas estão acontecendo — e, neste momento, é na Ásia”, comentou um gestor ouvido pelo mercado.
Vale e bancos empurram o índice
Na B3, a alta do Ibovespa foi sustentada principalmente por Vale (VALE3) e pelos bancos.
A mineradora subiu 1,82%, impulsionada pela recuperação dos preços do minério de ferro e pela expectativa de retomada da produção em algumas minas asiáticas.
O Bradesco (BBDC4) disparou 3,23%, na véspera da divulgação de seu balanço do 3º trimestre, previsto para o fim da noite.
O Santander Brasil (SANB11) ganhou 1,60%, com o mercado reagindo positivamente aos resultados divulgados pela manhã.
Outro destaque do dia foi Hypera (HYPE3), que subiu 4,84% após divulgar lucro acima das projeções e sinalizar crescimento sólido no quarto trimestre.
Já Petrobras (PETR4) teve desempenho modesto, +0,10%, acompanhando a leve queda do petróleo internacional.
Na contramão, Marfrig (MBRF3) devolveu parte dos ganhos expressivos da véspera e despencou 7,84%, em movimento de realização de lucros após a euforia com o anúncio da Sadia Halal.
Agenda e expectativa: Trump–Xi e balanços no radar
Além do Bradesco, também divulgam resultados nesta quarta as empresas Motiva (MOTV3) e ISA Energia (ISAE4).
Mas o foco dos investidores agora está mesmo na Coreia do Sul, onde Trump e Xi se encontram nesta quinta-feira (30).
A depender do tom do diálogo, o mercado global pode ganhar novo impulso — ou finalmente corrigir parte da escalada das últimas semanas.