Ibovespa renova recorde e fecha acima dos 147 mil pontos pela primeira vez na história

Marfrig dispara 15,6%, Vale e bancos sustentam ganhos; mercado aguarda decisão do Fed e encontro Trump–Xi
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O Ibovespa segue empilhando recordes e escrevendo novos capítulos em 2025. Nesta terça-feira (28), o principal índice da B3 subiu 0,31%, aos 147.428,90 pontos, ganhando 459,80 pontos no dia — e, pela primeira vez na história, fechou acima dos 147 mil pontos.

Foi a quinta alta consecutiva, algo que não ocorria desde o fim de abril, quando o índice emplacou sete pregões seguidos de valorização. A nova marca chega pouco mais de um mês após o fechamento acima dos 146 mil pontos, em 23 de setembro.

O real voltou a se valorizar, acompanhando o otimismo doméstico, e o dólar comercial caiu 0,19%, a R$ 5,360. Já os juros futuros (DIs) avançaram em quase toda a curva, refletindo um leve ajuste após as quedas recentes.

Recorde

O novo recorde carrega ainda o impulso do pregão anterior, embalado pela foto do encontro entre Lula e Donald Trump, no domingo, e pelo clima de reconciliação diplomática que dominou os mercados no início da semana.
O sentimento positivo seguiu firme, impulsionado também por expectativas globais — sobretudo com a decisão do Federal Reserve, marcada para esta quarta-feira (29), quando o banco central americano deve anunciar mais um corte de juros.

Em Nova York, os índices acionários fecharam em alta, sustentados pela antecipação de resultados das gigantes de tecnologia — Microsoft, Apple, Alphabet, Meta e Amazon — que divulgam balanços entre quarta e quinta-feira.
Na Europa, o movimento foi misto: Londres renovou máxima histórica, enquanto outras praças oscilaram sem direção única.

No radar, permanece o aguardado encontro entre Trump e Xi Jinping, previsto para quinta-feira (30), que pode redefinir o tom da relação comercial entre EUA e China.

Cenário doméstico: atenção ao fiscal e articulações em Brasília

No Brasil, a agenda política segue no foco. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reuniu-se com o senador Renan Calheiros, relator do projeto que isenta o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Haddad defendeu a inclusão de cortes de gastos para compensar a medida, enquanto o senador sinalizou que quer votar o texto na semana que vem.

A negociação tem sido acompanhada de perto pelo mercado, que ainda demonstra apreensão com o cenário fiscal.

Ações: Marfrig dispara 15,6% e Vale ajuda a empurrar o índice

O desempenho do Ibovespa teve influência decisiva de alguns papéis de peso.
A Marfrig (MRFG3) foi o grande destaque do dia, saltando 15,63%, em forte reação ao anúncio da Sadia Halal, nova empresa voltada ao mercado islâmico, revelada na véspera.
Segundo analistas da XP, o movimento “permite à companhia acelerar o crescimento em uma região estratégica e diversificar receitas de forma inteligente”.

A Vale (VALE3) também contribuiu para o bom humor, avançando 0,88%, com investidores atentos à recuperação do minério de ferro e à expectativa de retomada da liderança global no setor.

Entre os bancos, o tom foi predominantemente positivo:

  • Banco do Brasil (BBAS3) +0,53%
  • Itaú Unibanco (ITUB4) +0,34%
  • Bradesco (BBDC4) +0,05%
  • Santander Brasil (SANB11) -0,14%, na véspera da divulgação de seu balanço trimestral.

Outros destaques incluíram Qualicorp (QUAL3), com +1,12%, após revisão de recomendação de “venda” para “neutra” por analistas.

Na ponta oposta, Petrobras (PETR4) recuou 0,03%, acompanhando a leve queda do petróleo internacional.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que o avanço dos projetos na Margem Equatorial não freia a busca por recomposição de reservas — o que inclui novas frentes fora do Brasil, com destaque para a África.

Expectativas: Fed e Powell no centro das atenções

A quarta-feira (29) promete ser intensa. O Federal Reserve divulga sua decisão de política monetária, com o mercado esperando uma redução de 0,25 ponto percentual nos juros básicos.
Logo depois, o presidente Jerome Powell dará coletiva de imprensa — e o tom de suas falas pode definir o rumo do apetite por risco global.

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