Ibovespa dispara 1,70%, rompe os 158 mil pontos e fecha em recorde histórico

Expectativa de corte de juros em janeiro, avanço dos bancos e alta de Vale conduzem rali amplo no mercado
Arturo Añez
Arturo Añez

O Ibovespa encerrou a quarta-feira (26) em forte alta, subindo 1,70% e cravando 158.554,94 pontos, novo recorde histórico de fechamento. No melhor momento do dia, o índice atingiu 158.713,52 pontos, também a maior marca intradia de todos os tempos. Foi um pregão de alívio e retomada de apetite ao risco, após semanas marcadas por volatilidade e incerteza.

O movimento positivo no câmbio reforçou o clima mais benigno: o dólar comercial caiu 0,77%, a R$ 5,335, enquanto os juros futuros (DIs), que começaram o dia pressionados, terminaram majoritariamente em baixa.

IPCA-15 reforça alívio inflacionário e reacende apostas para a Selic

O dia começou com um dado crucial: o IPCA-15 de novembro subiu 0,20%, alinhado às expectativas e encostando na meta de inflação, pela primeira vez desde janeiro. A leitura é vista como mais um tijolo no cenário de desinflação, aumentando a probabilidade de corte da Selic em janeiro — exatamente o que parte do mercado considera essencial para sustentar o rali recente da Bolsa.

Política e Fed no radar

Apesar da semana curta, os mercados globais tiveram fortes gatilhos. O favorito de Donald Trump para substituir Jerome Powell no comando do Federal Reserve é agora Kevin Hassett, economista visto como defensor de cortes acelerados de juros. O aceno mexeu imediatamente com expectativas de política monetária e impulsionou bolsas internacionais — efeito que respingou diretamente na B3.

Em Brasília, o dia também foi movimentado. O presidente Lula sancionou a isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil, promessa central de campanha. Parte das consultorias, porém, alertou para possíveis efeitos colaterais: pressão adicional sobre consumo, inflação e juros.

O governo ainda reforçou discussões sobre isenção de IR para PLR, redução da jornada de trabalho e um plano de taxação de criptomoedas, sinalizações acompanhadas de perto por agentes econômicos.

No campo fiscal, o Tesouro informou superávit de R$ 36,5 bilhões em outubro, abaixo do registrado em igual mês de 2023.

Destaques da Bolsa

Entre os ativos de maior peso no Ibovespa, Vale (VALE3) avançou 1,49%, acompanhando a alta do minério de ferro na China, e contribuiu para a força do índice. Os grandes bancos também tiveram uma sessão fortemente positiva: Banco do Brasil (BBAS3) subiu 1,14%; Bradesco (BBDC4) avançou 3,01%; Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 2,36%; e Santander Brasil (SANB11) registrou valorização de 1,79%. O movimento refletiu a melhora no humor do mercado e expectativas de ambiente macroeconômico mais benigno adiante.

A B3 (B3SA3) se destacou com disparada de 3,81%, apoiada por perspectivas de maior fluxo de investidores para ações. A Embraer (EMBJ3) também teve um pregão positivo, em alta de 1,17%.

Na ponta contrária, Petrobras (PETR4) recuou 0,15%, em meio a ajustes na projeção de investimentos e ao comportamento do petróleo no exterior. Fora do índice, Casas Bahia (BHIA3) desabou 20,44%, após convocar assembleias sobre dívida e estrutura de capital, pressionando ainda mais o setor de varejo físico.

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