O Ibovespa registrou sua segunda alta consecutiva nesta terça-feira (25), ao subir 0,41% e encerrar o dia aos 155.910,18 pontos, em recuperação após um período de volatilidade marcado por quedas em sete das oito sessões anteriores. O movimento foi sustentado por um ambiente externo mais construtivo e pelo comportamento favorável do câmbio.
O real voltou a se apreciar e levou o dólar comercial a recuar 0,35%, para R$ 5,376, interrompendo parcialmente o avanço da moeda norte-americana observado na semana passada. No mercado de juros, os DIs mantiveram a trajetória de queda ao longo de toda a curva, refletindo a combinação de atividade moderada, expectativa de inflação mais baixa e percepção de menor risco macroeconômico.
Clima internacional reforça apetite por risco
A melhora do humor no mercado brasileiro ocorreu em sintonia com Wall Street, onde os principais índices encerraram a sessão em alta, amparados pela retomada da divulgação de indicadores econômicos nos Estados Unidos e pela leitura de que o Federal Reserve poderá cortar novamente a taxa de juros na reunião de dezembro.
As vendas no varejo de setembro vieram abaixo das expectativas, sugerindo desaceleração do consumo. Já o índice de preços ao produtor (PPI) avançou 0,3% em relação a agosto, exatamente em linha com o consenso. Com a Black Friday marcada para esta semana e sem tempo hábil para que seus resultados influenciem a reunião do FOMC, o banco central americano deverá trabalhar com os dados já disponíveis — cenário que favorece apostas adicionais em flexibilização monetária.
Na Europa, os mercados também fecharam em alta, acompanhando o desempenho dos EUA, mas atentos às discussões sobre o Orçamento do Reino Unido e aos sinais de possível avanço diplomático na guerra da Ucrânia.
No Brasil, o Banco Central voltou ao centro das atenções. Em audiência no Senado, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, reiterou que a instituição deve perseguir a meta de inflação de 3%, e não a banda superior do intervalo. Ele reconheceu que, segundo as projeções atuais, o BC não deverá cumprir a meta durante seu mandato.
Galípolo também foi questionado sobre a liquidação do banco Master, tema que continua repercutindo no mercado, mas o assunto não alterou o tom mais construtivo dos negócios na B3.
Blue chips divergem; petróleo pressiona Petrobras
Apesar do ambiente positivo, algumas grandes companhias do índice operaram em direções opostas.
A Embraer (EMBJ3) teve um pregão volátil e terminou com baixa de 0,33%, embora ainda acumule valorização superior a 40% no ano.
A Petrobras (PETR4) recuou 0,80%, pressionada pela queda do petróleo no mercado internacional, em um dia marcado por expectativas de avanço diplomático na crise da Ucrânia. As petroleiras independentes acompanharam o movimento, com PRIO (PRIO3) caindo 2,65%.
Entre as quedas relevantes, MBRF (MBRF3) caiu 3,27%, mesmo com a divulgação de sua estratégia comercial para o Natal. A Sabesp (SBSP3) encerrou praticamente estável, com alta residual de 0,01%, após nova rodada de recomendações positivas de analistas em razão da primeira revisão tarifária pós-privatização.
Vale, bancos e varejo sustentam a recuperação
Do lado positivo, a Vale (VALE3) subiu 0,78%, contribuindo para o desempenho do índice.
O setor bancário teve um dia alinhado no campo positivo, com destaque para:
- Bradesco (BBDC4): +0,80%
- Santander (SANB11): +0,03%
- Itaú Unibanco (ITUB4) e
- Banco do Brasil (BBAS3) também em território positivo.
O varejo seguiu beneficiado pela expectativa da Black Friday. Lojas Renner (LREN3) avançou 0,86%, enquanto empresas do setor de consumo em geral acompanharam o tom mais otimista.
Entre os destaques, Ecorodovias (ECOR3) subiu 3,36%, após a Artesp reconhecer desequilíbrio econômico na concessão da Ecopistas, decorrente da queda de receita durante o período crítico da pandemia.