O Ibovespa voltou ao campo positivo nesta segunda-feira, avançando 0,33% e encerrando o dia aos 155.277,56 pontos, um ganho de 507,46 pontos.
O alívio também veio do câmbio: após duas sessões seguidas de pressão, o dólar comercial caiu 0,11%, a R$ 5,395. Na renda fixa, os DIs recuaram por toda a curva, refletindo maior apetite a risco.
Nova onda de otimismo em Wall Street
A sessão foi influenciada pelo forte desempenho das Bolsas em Nova York. Para o Morgan Stanley, o pior da onda vendedora recente parece ter ficado para trás. O estrategista Michael Wilson reiterou a expectativa de que 2025 será um ano positivo para o mercado acionário americano.
O entusiasmo veio especialmente do setor de tecnologia: a Alphabet liderou o movimento e ficou a um passo de atingir US$ 4 trilhões em valor de mercado, impulsionada pelo rali de empresas ligadas à inteligência artificial. Os três principais índices fecharam com altas robustas. Na Europa, o dia foi mais moderado, com bolsas mistas.
O humor também foi beneficiado por declarações de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve, que afirmou ver motivos suficientes para justificar um novo corte de 0,25 ponto na reunião de dezembro, caso a sequência de dados econômicos confirme a desaceleração do mercado de trabalho.
Política externa reacende atenções
Contribuiu ainda uma rara convergência diplomática: Donald Trump e Xi Jinping conversaram e sinalizaram avanço no diálogo entre EUA e China, o que ajudou o apetite global por risco.
A imprensa internacional também repercutiu relações entre Brasil e EUA. O The New York Times destacou que Trump “admitiu derrota” frente ao governo brasileiro ao não reagir à prisão preventiva de Jair Bolsonaro, tema que vinha desgastando as conversas bilaterais.
Discursos divididos no governo
No Brasil, o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, recuperou o tom otimista e afirmou que o governo cumprirá a meta fiscal em 2024 e 2025, projetando inclusive superávit em 2026. Já o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manteve postura cautelosa: disse estar insatisfeito com o nível de inflação e reforçou a necessidade de juros ainda restritivos. Antes dele, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, havia defendido que inflação não deve ser impeditivo ao crescimento.
Blue chips frustram; varejo lidera alta
O ganho do Ibovespa não veio das gigantes. A Vale (VALE3) chegou a operar em alta seguindo o minério de ferro no exterior, mas fechou em leve queda de 0,11%. A Petrobras (PETR4) também recuou 0,09%, destoando do avanço do petróleo internacional.
No setor bancário, o desempenho foi misto: Santander (SANB11) subiu 0,03%, Bradesco (BBDC4) avançou 0,05%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) cedeu 0,38% e BB (BBAS3), 0,73%.
Quem sustentou o índice foram os varejistas, embalados pela expectativa da Black Friday desta semana. Magazine Luiza (MGLU3) subiu 2,80%, enquanto Casas Bahia (BHIA3), fora do índice, disparou 11,11%.
A Localiza (RENT3) ganhou 2,21%, com analistas reforçando a melhora do sentimento macroeconômico. O maior destaque, porém, foi Neoenergia (NEOE3), que disparou 7,04% após proposta de fechamento de capital.